terça-feira, 19 de maio de 2009

Por uma Rio das Ostras com Qualidade de Vida e sem Violência!

Quando fizemos, eu e meu companheiro, a opção de morarmos na cidade de Rio das Ostras foi por acreditarmos na possibilidade de, pelo menos, se viver um pouco mais com tranqüilidade. Caminhar pela cidade, sem a preocupação com os assaltos ou com o vandalismo. Buscar uma qualidade de vida que, infelizmente, perdemos na cidade do Rio de Janeiro.
Diariamente, acordamos com a expectativa de dias melhores. No entanto, nos defrontamos pessoalmente ou na grande mídia com um problema que nos parece não ter fim, que é o da violência. Muitos especialistas se dividem na tentativa de analisar as relações de causa e efeito sobre a violência.
Uns adotam a linha psicológica, outros, a sociológica, sempre na tentativa de analisarem o homem dentro do contexto social e os elementos que o levam a ter esta atitude.
Poderíamos nos envolver nas diferentes análises apresentadas, entretanto, o que nos leva a provocar este tema é ir além desta ou daquela visão. O que propomos é abrir mais um espaço de reflexão, pois esta situação chegou ao nosso limite.
Não desejo, aqui, dizer que a cidade do Rio de Janeiro só tem violência. Este problema atinge as principais capitais do país e do mundo. O Rio é uma cidade acolhedora e bela em sua geografia e seu povo.
Não dá para a população ficar esperando, pois é a que mais sofre diretamente.
A união dos governos nas três esferas, as Secretarias de Segurança Pública, as Associações de Moradores, os Sindicatos, as Universidades etc poderiam juntos iniciar um exercício de cidadania e de mudança, deixando as disputas de lado e olhando, de fato, para os interesses do povo.
Chegamos há um esgotamento, e é hora de fazermos algo. Não podemos achar que a violência é algo comum a todos nós. O perigo da banalização da violência é o mesmo que achar comum, jovens agredirem uma trabalhadora ou colocarem fogo no corpo de um índio, que resultou em sua morte.
Apesar da criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), uma lei que trata da infância e adolescência, que apresenta como princípio básico a proteção integral à criança e ao adolescente, percebendo-os como seres em desenvolvimento, sob responsabilidade da família, da sociedade e do Estado, visto a necessidade de se garantir o direito à escola, ao combate à prostituição Infantil e a erradicação do trabalho Infantil.
É fundamental que você, leitor(a), e a sociedade civil organizada, participem para que Rio das Ostras seja sempre uma cidade comprometida com as causas sociais.

Profª Guilhermina Rocha
Especialista em Educação e Historiadora
Presidente do CEPRO
Colunista do Jornal Razão - Rio das Ostras
Avenida das Flores, nº 394 – Bairro Residencial Praia Âncora
Rio das Ostras – RJ
Telefone: (22) 2760-6238 / (22) 9834-7409
CEPRO – Um projeto de cidadania, educação e cultura em Rio das Ostras

domingo, 17 de maio de 2009

Campanha pelo Direito à Alimentação


O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) com o objetivo de mobilizar movimentos sociais, governos, personalidades públicas e artistas para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC nº 047/2003), que inclui a alimentação entre os direitos previstos no artigo 6º da Constituição, criou um abaixo-assinado eletrônico de apoio à aprovação da proposta.
Com essa importante mobilização, o CONSEA está divulgando em seu endereço e distribuindo banner explicativo e vasto material para que a proposta seja aprovada.
Nós do CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras apoiamos a Campanha pelo Direito à Alimentação e pedimos a todos que participem dessa mobilização. Para maiores informações acesse o link: (http://www4.planalto.gov.br/consea/pec-alimentacao).

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Flip: Equilíbrio entre ficção e não ficção

De 20 mil a 30 mil pessoas devem passar pela cidade fluminense Paraty entre os dias 1 e 5 de julho, quando ocorre a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que tem entre os convidados autores como Chico Buarque, Richard Dawkins, Gay Talese e António Lobo Antunes, entre outros.
Quando a Feira começou, em 2003, as expectativas sobre o público eram bem modestas, as pretensões de seus organizadores eram que em cinco anos, o público seria de no máximo 500 pessoas. O primeiro ano foi um sucesso, a rede de hotéis e pousadas da região precisou se adaptar e a administração da Feira ampliou suas expectativas.
De acordo com o curador da Flip, Flávio Moura, a programação de 2009 confirma a identidade da Flip, convidando nomes de destaque incontestável na suas áreas de atuação, havendo um verdadeiro equilíbrio entre ficção e não ficção.
É a primeira vez que a programação inclui ciência, representada pelo renomado darwinista e ateu confesso Richard Dawkins, autor de “Deus, um delírio”. Também é inédita a presença de uma artista plástica, Sophie Calle, cuja obra tem forte ligação com a literatura, e de autores chineses no evento (Xin Ran e Ma Jian). Eles vêm ao Brasil quando se recordam os 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestial, tema abordado na obra de Ma Jian.
Outra novidade anunciada por Moura é a Flip Casa de Cultura, novo nome da Flip Etc. A alteração se deve a uma certa confusão, onde muita gente achava que se tratava de um evento paralelo.
O autor homenageado pela sétima edição da Flip é o poeta Manuel Bandeira (1886-1968). A mesa literária tradicionalmente organizada para debates sobre o autor selecionado será composta por Edson Nery da Fonseca, amigo pessoal e um dos maiores especialistas em Manuel Bandeira, e por Zuenir Ventura, que foi aluno do poeta.
Com um orçamento de quase R$ 6 milhões, valor 8,2% maior que no ano anterior, a Flip não deixará transparecer ao público os efeitos da crise financeira mundial, garante Mauro Munhoz, diretor geral da Flip. A inflação entre ano passado e este foi de 10%. Portanto, segundo Munhoz, houve redução de recursos, quando o natural seria haver aumento a cada ano.



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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dia Mundial da Internet

Dia 17 de maio é considerado como o Dia Mundial da Internet. Tal data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2005.
Na mesma data são celebrados os dias da Sociedade da Informação e das Telecomunicações, englobados no Dia Mundial da Sociedade da Informação.
De acordo com informações da última pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil já tem 32,1 milhões de internautas, que acessam a web de casa, do trabalho ou de centros públicos ou privados. E que os sites (sítios em português – endereços eletrônicos na Internet) tenham dobrado em dois anos e beirando os 120 milhões de endereços.
Ainda segundo o IBGE, os internautas têm em média 28 anos de idade, rendimento médio mensal domiciliar per capita de R$ 1.000,00 e escolaridade de 10,7 anos.
Na América Latina, o Brasil é o quarto país mais conectado, e, no mundo, estamos em 62º lugar. De acordo com a mais recente pesquisa Ibope/Net Ratings, o Brasil é também o país com maior tempo médio de navegação por pessoa. Cada internauta residencial (que acessa a web de casa) permanece conectado 20 horas e 54 minutos no mês. Para comparação, na França, por exemplo, o tempo médio por internauta residencial é de 19 horas e 56 minutos; nos Estados Unidos, 19 horas e 8 minutos; no Japão, 18 horas e 34 minutos.
Esta data é comemorada em países como Espanha, Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, México e Portugal, entre outros.
O CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras – acredita que a Internet seja uma ferramenta de bastante utilidade não só para buscar conhecimento, mas também para integrar pessoas e inseri-las nos diversos setores onde essa ferramenta possa ser empregada. Ressaltamos ainda que o uso da Internet e suas aplicações fazem parte de um dos nossos projetos – Programa de Inclusão Digital.

Feliz Dia Mundial da Internet!

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

FAVELA É PARTE DA CIDADE


A ausência de debates e de idéias sobre as cidades é tamanha que não deixa de ser um fato alvissareiro o surgimento de qualquer proposta nova que possibilite reflexões. É com esse espírito aberto de construção de um debate que quero me posicionar e levantar argumentos contra essas idéias – não tão novas – de remoção e construção de muros em favelas. Juntei os assuntos porque acho que remoção, muros e a tese de que favelas são fábricas de bandidos fazem parte da mesma matriz teórica.
Devo dizer antes de tudo, que acho que começar o debate por aí é perda de tempo. Minha proposta é olhar além de Zona Sul, mudar a pauta, pensar a região metropolitana. Afinal, remoção de favelas não é algo viável, factível. Como retirar uma família que está ali há trinta anos? Chega a ser engraçado ver os mesmos que defendem o Estado mínimo, quando chamados a opinar sobre sua vizinhança, defendem um Estado forte, quase agressor, capaz de remover uma família que mora há décadas naquele espaço. Além da perda de tempo, é equivocado. Fica parecendo uma provocação de classes dos ricos, do andar de cima, contra trabalhadores pobres que insistem em dividir o mesmo território, em freqüentar a mesma praia. Há, aparentemente, uma visão elitista que não aceita diversidade, uma convivência entre classes no mesmo espaço.
Os muros acabam virando derivação do mesmo tema. Ao buscar conter a expansão desordenada das favelas e a preservação ambiental, os muros atingem outro alvo. Reforçam a idéia de segregação, do confinamento, do aparente controle das “classes perigosas”. Fica parecendo uma ação midiática para acalmar uma classe média assustada com a violência.
A melhor saída é esquecer muros e construir um grande acordo social contra o crescimento desordenado das favelas. Ao invés de muros, fiscalização do, poder público, ecolimites, acordos comunitários – sim, a comunidade é aliada.
Ao invés de uma política que sinalize idéias de separação de territórios inimigos, defendemos a união da cidade, a integração, entre território e pessoas, o investimento nas comunidades. Em Nova Iguaçu, há uma experiência de radicalização de políticas públicas, em especial para as famílias, crianças e jovens mais vulneráveis. Vale afirmar, apesar dos discursos, que nunca houve uma ação articulada o suficiente para gerar uma verdadeira ocupação social nas favelas. Esse caminho é possível, com horário integral nas escolas, políticas de formação profissional para a juventude, cursos pré-vestibulares, intermediação de uma mão de obra e monitoramento das famílias em maior risco social. Ações integradas no território, em parceria com a sociedade civil e as empresas socialmente responsáveis. Acima de tudo, o Estado tem que estar presente, assumindo a favela como parte da cidade.
Por fim, não haverá debate sério sobre pressão habitacional na Zona Sul do Rio se não olharmos as condições de vida do povo na região metropolitana, São Gonçalo, Baixada Fluminense e subúrbio do Rio. Há grandes oportunidades de desenvolvimento econômico com o Comperj em Itaboraí, o Arco Rodoviário na Baixada e o Porto de Itaguaí. É necessário estimular a implantação de um corredor de investimentos que ligue o Leste Fluminense à Baixada e a Zona Oeste, beneficiando mais de seis milhões de pessoas. Há de ser ter planejamento, uma estratégia de construção de uma rede de novos empreendimentos e oportunidades de geração de empregos nas cidades onde as pessoas vivem, acompanhado de um plano diretor sério que impeça uma explosão de crescimento desordenado nas áreas que serão cortadas pelo arco e no entorno do Comperj.
Toda essa discussão passa, ainda, pelo desafio de se resolver a questão do transporte público, que hoje, além de caro e desconfortável, consome boa parte do dia dos trabalhadores. Políticas de integração, bilhete único e, principalmente, a transformação dos trens da Supervia em metrô presisam sair dos debates dos palanques em época de eleição para virar realidade. Esse amplo investimento em velocidade e conforto é o caminho democrático e cidadão para a revitalização dos territórios da região metropolitana. A qualidade de vida da Zona Sul está, pois, diretamente ligada aos investimentos que forem feitos na Baixada e na Região Metropolitana.
Com o perdão da rima, muros e remoção não são solução.

Lindberg Farias
Prefeito de Nova Iguaçu - RJ.

Fonte: Jornal O Globo. Sábado 09 de maio de 2009 – página 7 Coluna Opinião

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domingo, 10 de maio de 2009

A situação do trabalho escravo no Brasil

Escravizar: ato de tornar alguém submisso ou dependente, exercer dominação moral, oprimir... De acordo com o relatório "Conflitos no Campo Brasil 2008", elaborado anualmente pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), 5,2 mil pessoas que trabalhavam em situação de escravidão foram libertadas no último ano. Entre as libertações, o setor sucroalcooleiro liderou o ranking, com 48% dos trabalhadores que deixaram a situação análoga à de escravo.
O Pará é o estado que registrou o maior número de denúncias no último ano. Em segundo lugar, está o Mato Grosso, seguido pelo Maranhão.
Em entrevista à Radioagênca NP, de Araguaína, Tocantins, o coordenador da campanha da CPT de combate ao trabalho escravo, Xavier Plassat, falou que a realidade de trabalhadores escravizados está muito longe de recuar no país.
Radioagência NP – Xavier, seria possível fazer a ligação entre trabalho escravo e monocultura?
Xavier Plassat – Não que em si haja uma ligação direta, mas existem algumas monoculturas que se revelaram, nestes últimos anos, como palco de condições degradantes ou de trabalho escravo. Recentemente, o que chamou atenção são os casos no preparo da lavoura da soja, onde o trabalho de “catar” as raízes para preparar o plantio é frequentemente realizado em condições de trabalho bem brutais. Encontramos isso no Mato Grosso, no Tocantins, no Pará, na Bahia e em vários lugares. Como a cultura da soja teve um crescimento importante, nos últimos anos, houve mais casos. E o que também aparece nas estatísticas é o desenvolvimento de duas outras monoculturas que são a cana-de-açúcar e o plantio de eucalipto.

RNP – Onde, geralmente, o trabalho escravo está presente?
XP – A maioria dos casos de trabalho escravo é encontrada ainda na pecuária. A metade está nas fazendas de gado. São 48% dos casos, ou seja, 134 fazendas foram identificadas com denúncias de trabalho escravo. Por outro lado, tem o setor da cana que representa um número de casos bem menor – em 2008 foram 19, o que corresponde a 7% do total – mas em número de pessoas envolvidas ou libertadas representa quase a metade do total do ano, que foi de 2553 pessoas. Fato é que hoje, no Brasil, são poucos os estados que escapam da estatística do trabalho escravo. O que é um fato novo, porque antigamente tudo se concentrava no arco de desmatamento na Amazônia. Hoje, percebemos que aonde o agronegócio for há condições degradantes de trabalho.

RNP – No último ano, chegou a 280 o número de denúncias de trabalho escravo no país. Em 2007, foram 265 denúncias e em 2006 também 265. O que o senhor pode dizer sobre os dados?
XP – Os três números, quase iguais a 300, significam que, de certa maneira, a realidade do trabalho escravo não está recuando ainda, apesar de uma mobilização maior do que no passado contra isso. O mesmo Estado que está combatendo o trabalho escravo, por várias de suas políticas, também está favorecendo a expansão de um agronegócio que não está nem aí para isso. Então, tem uma contradição que precisa ser combatida e superada. No bojo dessa contradição, tem a questão da reforma agrária, a questão da agricultura familiar, do modelo de agricultura.

RNP – Como é a vida das pessoas que são encontradas em condições de trabalho escravo?
XP – Primeiro as condições de contratação. Muitas vezes as pessoas são trazidas de fora, porque as pessoas do lugar não querem mais fazer esse tipo de serviço naquelas condições. O trabalhador chega, às vezes, já um pouco endividado com quem o contratou – gasto da viagem, adiantamentos – e descobre uma realidade que raramente corresponde ao que foi prometido. Aqui na Amazônia, não é raro ele ter que pagar pelos instrumentos de trabalho, pela lona plástica ao qual ele vai ser alojado em condições totalmente precárias, sem minimamente ser respeitado condições de higiene, de saúde e de acesso à água potável. E a jornada de trabalho vai ser bem exaustiva, longa, sem final de semana, sem férias.

RNP – O que impede esse trabalhador de deixar às condições a que é submetido?
XP – O isolamento geográfico vai ser um fator suplementar para impedir o desligamento do trabalho. Vão se agregar, em certos casos mais graves, situações de coerção da liberdade, de impedimento psicológico, financeiro ou armado, que não deixa o trabalhador sair do serviço antes que ele termine. A mais habitual é de não pagá-lo, de reter seus documentos. Nessas condições, um migrante que fez uma longa viagem, na expectativa de um salário bom, não tem como sair.

RNP – Os empregadores que exploram essas pessoas estão sendo punidos?
XP – A primeira punição que vem à mente é a prevista pelo Código Penal Brasileiro que, desde 1941, tipifica o trabalho escravo, que quantifica em dois a oito anos a pena de prisão que seria aplicável. Até março, não tinham mais de dez empregadores brasileiros que tenham sido condenados à pena de prisão no Brasil. Durante anos, não se sabia quem era competente para julgar o crime de trabalho escravo, se a Justiça Federal ou a Justiça Comum. Isso manteve por muito tempo uma ausência de decisões judiciais. Esta situação está se revertendo aos poucos, depois que o Supremo Tribunal Federal, no final de 2006, determinou que a competência é da Justiça Federal. Agora, uma coisa que ainda não conseguimos, que se deve a uma resistência obstinada da bancada ruralista no Congresso, seria de confiscar a propriedade de quem pratica o trabalho escravo. Existe, há mais de 13 anos, uma proposta constitucional para que isso aconteça. Esta emenda constitucional está parada na Câmara dos Deputados, onde a bancada ruralista continua pensando que a propriedade vale mais do que a dignidade do trabalhador.

De São Paulo, Radioagência NP, Desirèe Luíse. 08/05/09

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação: O Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação.


Durante a realização da Conferência Nacional de Educação Básica, em abril de 2008, o Ministério da Educação assumiu o compromisso institucional de apoiar a organização da Conferência Nacional de Educação – CONAE.
A Comissão Nacional definiu que a CONAE será a realizada, em Brasília – DF, no mês de abril de 2010, e será precedida de Conferências Municipais ou Intermunicipais, a serem realizadas no primeiro semestre de 2009 e de Conferências Estaduais e do Distrito Federal, com datas previstas para o segundo semestre de 2009.
O tema central da CONAE: Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação: O Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação. A partir deste momento, ele se torna objeto de estudo e de deliberação, incluindo, portanto, o debate de todos os níveis, etapas e modalidades de ensino em um fórum de mobilização nacional pela qualidade e valorização da educação com a participação de amplos segmentos educacionais e sociais.
A CONAE será um importante espaço democrático para a construção da política nacional de educação e dos seus marcos regulatórios, na perspectiva da inclusão, igualdade e diversidade.
Neste sentido, os desafios da educação pública brasileira, neste momento de crise mundial, revertem-se de importância estratégica sob vários aspectos, que vão desde a profissionalização dos trabalhadores – acometidos pelo massivo desemprego mundo afora – à formação das presentes e futuras gerações, com o compromisso de atender às demandas éticas , sociais, culturais, ambientais, tecnológicas, econômicas, dentre outras, impostas por este momento histórico.
De modo que nos perguntamos: é possível, no mundo contemporâneo, as relações em sociedade serem organizadas sem fundamentos precípuos que direcionem para a idoneidade moral dos indivíduos e à justiça coletiva, e que primem pela inclusão e a igualdade social? E podem convencionar, democraticamente, esses princípios, senão um poder soberano eleito pelos cidadãos e cidadãs de cada país? E qual o papel da educação na construção dessa nova ordem social? Como o sistema educacional e as escolas – e seus atores – devem se organizar para serem protagonistas e colaboradores frente a esses desafios?
Essas e muitas questões chegam num momento ímpar para o Brasil e para o mundo, que têm a chance de consolidar outros rumos para as sociedades local e global.
A democracia será o foco de nosso debate somente através dela acreditamos ser possível construir novos alicerces para a paz e a prosperidade dos povos e para igualdade em nosso país. Em âmbito educacional, a democracia se traduz na efetiva participação dos profissionais na elaboração, na implantação e na avaliação das políticas públicas; na escolha dos dirigentes escolares; na construção do projeto político–pedagógico da escola por seus atores; na alfabetização e na qualidade do ensino para todos.
Neste sentido, conclamo a todos os educadores, estudantes, pais, mães para participarem das conferências municipal, estadual e nacional de educação, com intuito de debater os principais temas em voga na política educacional.
Sua participação é muito importante para melhorarmos a qualidade da escola pública e para construirmos um Brasil melhor para todos.
Participem!

Profª Guilhermina Rocha
Especialista em Educação e Historiadora
Presidente do CEPRO
Colunista do Jornal Razão - Rio das Ostras
Email: guilherminarocha@oi.com.br

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terça-feira, 5 de maio de 2009

O CEPRO publica íntegra da bela carta do MST em homenagem ao querido e saudoso Augusto Boal

Companheiro Boal

A ti sempre estimaremos por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política, tua solidariedade com a classe trabalhadora é mais que exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática, como tantas que escreveu. Aprendemos contigo que os bons combatentes se forjam na luta.
Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube dar expressão combativa ao anseio daqueles que queriam dar a ver o Brasil popular, o povo brasileiro. Sem temor, nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e atores, e escreveu algumas das peças mais críticas de nosso teatro, como Revolução na América do Sul (1961). Colaborou com a criação e expansão pelo Brasil dos Centros Populares de Cultura (CPC), e as ações do Movimento de Cultura Popular (MCP), em Pernambuco.
Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode ser uma arma revolucionária a serviço da emancipação humana.
Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas Camponesas, que só o teatro não faz revolução. Quantas vezes contou nos teus livros e em nossos encontros de teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te fez observar que na luta de classes todos tem que correr o mesmo risco.
Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas histórias, seu método de aprendizado: aprender com os obstáculos, criar na dificuldade, sem jamais parar a luta.
Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-ataque, desenvolveu o Teatro do Oprimido, com diversas táticas de combate e educação por meio do teatro, que hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação política que desenvolvemos com as comunidades de periferia urbana.
Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem mudar de posição política, sem abrandar o discurso, sem fazer concessões, sem jogar na lata de lixo da história a experiência revolucionária que se forjou no teatro brasileiro até seu esmagamento pela burguesia nacional e os militares, com o golpe militar de 1964.
Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.
Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se vendeu, não se calou.
Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra todas, absolutamente todas as formas de opressão. Contemporâneo de Che Guevara, soube como ninguém multiplicar o legado de que é preciso se indignar contra todo tipo de injustiça.
Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis de incentivo fiscal para o financiamento da cultura brasileira. Você, companheiro, não se deixou seduzir pelos privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar nos alvos certeiros.
Incansável, meio século depois de teus primeiros combates, propôs ao MST a formação de multiplicadores teatrais em nosso meio. Em 2001 criamos contigo, e com os demais companheiros e companheiras do Centro do Teatro do Oprimido, a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré. Você que na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não basta o teatro dizer ao povo o que fazer, soube transferir os meios de produção da linguagem teatral para que nós, camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele discutir nossos problemas e formular estratégias coletivas para a transformação social.
Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra de todo o Brasil, como parte dos seres humanos oprimidos pelo sistema que você e nós tanto combatemos, lhes rendemos homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir combatendo em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e tua luta não será esquecida e transformada em mercadoria.
O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo.

Dos companheiros e companheiras do MST.

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Carta com demandas da sociedade civil foi entregue ao presidente da Câmara dos Deputados durante aula pública no Congresso Nacional

A Aula Pública realizada no Congresso Nacional no dia 28 de abril, iniciativa da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em parceria da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, para debater índices de analfabetismo, leitura e a Educação de Jovens e Adultos no Brasil foi marcada pela a entrega de uma Carta Gigante ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), com reivindicações da sociedade civil para a modalidade. Os cerca de cem participantes do evento assinaram a carta, que será levada para a Confintea VI (Conferência Internacional de Educação de Adultos) em maio deste ano.
O documento relembra as metas estabelecidas pelo PNE (Plano Nacional de Educação). Uma delas diz respeito ao fim do analfabetismo. Em 2001, quando o PNE entrou em vigor, 12% da população com mais de 14 anos de idade era analfabeta. De acordo com o plano, em 2006 o Brasil deveria ter no máximo 3,7% de pessoas nessa situação, mas ainda possuía o índice de 10,4%. Se mantida a média, em 2011, quando a meta é extinguir o analfabetismo, o país ainda terá 10% de sua população sem saber ler e escrever.
A Carta Gigante recorda ainda os objetivos aprovados no Fórum Mundial de Educação de Dakar (Senegal – 2000), a declaração de Hamburgo (Alemanha – 1997) sobre a educação de jovens e adultos e as metas do “Educação para Todos” (Tailândia – 1990), além de apresentar as recomendações da Relatoria Nacional pelo Direito Humano à Educação sobre o ensino no sistema prisional brasileiro. O documento está na CEC (Comissão de Educação e Cultura) da Câmara dos Deputados, onde deve receber outras assinaturas.
A Aula pública foi uma atividade da Semana de Ação Mundial 2009, que mobilizou 100 mil pessoas de todos os estados da Federação. A Semana começou em 22 de abril e terminou na quarta-feira, 29 de abril. Os expositores foram Denise Carreira, da Relatoria; Elizabete Ramos, dirigente da Campanha; Sérgio Haddad, da ONG Ação Educativa e do Fisc (Fórum Internacional da Sociedade Civil pró-Confintea) e Timothy Ireland, da Unesco e organizador da Confintea. A mediação foi da presidenta da Comissão, a deputada Maria do Rosário (PT-RS).
Entre os participantes da aula estavam membros de vários movimentos sociais como a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), a Educafro, o MSU (Movimento dos Sem Universidade) e a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). Além de Temer e de Rosário, os deputados Carlos Abicalil (PT-MT), Bel Mesquita (PMDB-PA), Luiz Carlos Setim (DEM-PR) e Fátima Bezerra (PT-RN) também participaram da aula.
Houve ainda depoimentos dos educadores Maria Alice de Paula e Ionilton Gomes de Aragão, do Mova (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos) e dois professores com deficiência visual, voluntários da Biblioteca Braille Dorina Nowil, Nivaldo Alves dos Santos e Noemi Rocha da Silva. A parte cultural foi animada pelos cordelistas Paulo Ferreira e Djalma Faustino.

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sábado, 2 de maio de 2009

O CEPRO vai ao Teatro

O CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras – em parceria com o Jornal Razão levará um grupo de crianças ao Teatro Popular de Rio das Ostras, para assistir a peça “O Coelhinho Pitomba” nos dias 02 e 03 de maio de 2009, às 17 horas.
O espetáculo produzido por Cristiane Regis e pela Companhia Teatral Falk e dirigido por Elyzio Falcato narra as aventuras do coelho Pitomba e de seus amigos e prometer encantar crianças, jovens e adultos.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia do Trabalhador, dia de festa, dia de luta

Capitais do mundo todo celebram nesta sexta-feira (1°) o Dia do Trabalhador, tendo como pano de fundo a crise econômica que deixou milhões de desempregados e o temor da gripe suína ou Influenza tipo A, como queiram.
Um dos primeiros protestos na Europa, que enfrenta a recessão mais grave desde a Segunda Guerra Mundial, aconteceu durante a madrugada em Berlim, onde 49 pessoas foram detidas após confrontos, entre manifestantes e a polícia.
Mais tarde, milhares de pessoas se reuniram em diversos pontos da Alemanha para protestar, em calma, contra as demissões na maior economia da Europa, onde o governo prevê para 2009 uma recessão de 6%.
"Precisamos de uma ordem econômica que tenha como objetivo o bem-estar das pessoas e não para que os ricos fiquem mais ricos", afirmou Detlef Wetzel, presidente do poderoso sindicato metalúrgico alemão.
Na França, milhares de pessoas compareceram à convocação conjunta das oito principais centrais sindicais do país para criticar a política econômica do presidente Nicolas Sarkozy.
Como sinal da tensão social crescente, o país registrou nos últimos meses vários casos de executivos retidos por trabalhadores de empresas que haviam anunciado demissões ou fechamento.
Em Viena, 100.000 pessoas convocadas pelo Partido Socialdemocrata Austríaco (SPOe) pediram "igualdade fiscal".
Na Itália, os dirigentes dos principais sindicatos do país se reuniram em L'Aquila para manifestar a solidariedade dos trabalhadores com as vítimas do terremoto de 6 de abril, que matou 295 pessoas na região.
Em Istambul, capital turca, foram registrados choques entre a polícia e os manifestantes. Milhares de trabalhadores compareceram ao centro da cidade para protestar contra as autoridades. O 1º de maio voltou a ser feriado na Turquia depois de 30 anos.
Em Moscou, 2.000 simpatizantes do Partido Comunista se reuniram diante da estátua de Karl Marx com fotos de Lênin e bandeiras vermelhas. Na capital russa, os discursos foram centrados na crise econômica mundial e na defesa da reinstauração do regime comunista, que acabou em 1991 com a dissolução da União Soviética.
No México, a data é marcada pelo temor da gripe suína. O país é o epicentro da doença, que já deixou 11 mortos e pelo menos 300 casos confirmados.
Os sindicatos se viram obrigados a suspender as manifestações, a pedido do governo, que pediu à população para permanecer em casa durante o fim de semana prolongado para evitar os contágios.
Na Ásia, Taiwan, sexta maior economia do continente, também foi cenário de manifestações a favor do emprego, já que a ilha nacionalista registrou em março um índice recorde de 5,8% de desemprego.
No Brasil, importantes centrais sindicais, como a CUT, comemoram o Dia do Trabalhador com shows, prêmios e serviços assistenciais em todo o país.
Ao usar os eventos como atrativo para reunir multidões, as centrais farão atos políticos com discursos sincronizados: dois dias após o Banco Central cortar a taxa básica de juros ao menor nível da história, pedirão uma redução ainda maior da taxa, pela manutenção do emprego em meio à crise econômica.
A própria CUT fará ato para transmitir as diversas maneiras de enfrentamento da crise, sem o sacrifício dos trabalhadores. Mais queda nos juros e a necessidade de redução do spread bancário são velhas cobranças que serão destacadas.
Em atos descentralizados ou em megaeventos vemos as centrais sindicais festejando este importante dia, assim nós do CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras – parabenizamos nossos companheiros trabalhadores neste importante dia de festas, mas também um dia de luta, luta por melhores condições de trabalho, por melhores condições de vida e principalmente por uma sociedade mais justa e mais igualitária.

CEPRO – Centro Cultural de Educação Popular de Rio das Ostras
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CEPRO – Um projeto de cidadania, educação e cultura em Rio das Ostras