quinta-feira, 28 de abril de 2011

ALTERAÇÃO NO CÓDIGO FLORESTAL CAUSARÁ IMPACTOS NAS CIDADES

Radioagência NP
 Previsto para ser votado – na Câmara dos Deputados – nos dias três e quatro do próximo mês, o Projeto que altera o Código Florestal brasileiro (PL 1.876/99) pode extinguir uma área de aproximadamente 200 mil Km² de mata nativa. Como comparativo, é como se uma área protegida do tamanho do estado de São Paulo fosse liberada para o desmatamento.
Entre os pontos críticos no texto de alteração, que foi proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), estão a redução das áreas de Reserva Legal nas propriedades particulares, o perdão das multas aplicadas em proprietários que desmataram até julho de 2008 e a flexibilização da produção agropecuária em Áreas de Proteção Permanente (APPs), com a redução de 30 para 15 metros das áreas de preservação nas margens de rios. Além disso, o texto deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente e também prevê a ampliação da autonomia dos estados para legislar sobre meio ambiente.
Em entrevista à Radioagência NP, o defensor público Wagner Giron explica que a população das áreas urbanas deveria ter mais participação nesse debate. Para ele, há uma falsa ilusão de que tais mudanças são de interesse exclusivo das populações de áreas rurais, pois afetarão todo o conjunto da sociedade, principalmente nas questões da falta de água e aumento das enchentes provocadas pelas chuvas. Ele cita o exemplo da cidade de São Paulo, onde foram construídas as marginais Tietê e Pinheiros em áreas de recuo obrigatório, nas quais não deveria ter atividade humana nenhuma.
Radioagência NP - Wagner, as alterações no Código devem ser encaradas com preocupação somente pela população de áreas rurais?

Wagner Giron - De forma alguma. As normas ambientais que visam a colocar uma regulação mínima da atividade humana sobre o meio ambiente têm abrangência para toda a coletividade, seja rural ou urbana. Podemos ver os efeitos nas grandes catástrofes naturais, enchentes e alagamentos sucessíveis que são causados por qualquer chuvinha nos médios e grandes centros urbanos, que já são impermeabilizáveis por conta do crescimento feito sem projeção. Isso é fruto dos desrespeitos às normas ambientais contidas no Código Florestal, que nunca foram cumpridas no Brasil, e mesmo assim, já querem alterá-lo.

Um dos argumentos do relator do Projeto é que as alterações não irão valer para os perímetros urbanos. Isso livra as cidades dos efeitos da aprovação?


O Código Florestal cria algumas áreas importantes na proteção ambiental, que são as Áreas de Preservação Permanente (APPs). Um exemplo de APPs são as faixas mínimas de recuo nas beiras dos rios. Quando um curso d’água ou rio tem a largura de meio metro até dez metros, a faixa de APPs em ambas as margens deve ser de 30 metros. Isso seria a área de vazão das chuvas, área de escoamento e drenagem do rio. Por exemplo, na cidade de São Paulo, onde há um equívoco ambiental violento e notório, foram construídas nessas áreas obrigatórias de recuo, onde não devia ter atividade humana nenhuma, as marginais Tiete e Pinheiros. Isso colabora com o estrangulamento dos canais de vazão das águas pluviais, fato que causa o caos ambiental que vivenciamos em São Paulo quando chove. Isso é um desrespeito de disposições do Código Florestal que tem aplicação não somente na área rural, mas também nas atividades urbanas.

Concretamente, quais serão os principais efeitos sentidos pela população em geral


A partir do momento que a alteração do Código Florestal, promovida pelos interesses da bancada ruralista no Congresso – infelizmente capitaneada pelo deputado Aldo Rebelo – procura diminuir a proteção normativa ao meio ambiente, aumentando a fronteira do agronegócio e áreas desmatamento, o que acontece? Vai haver maior número de queimadas, emissões gigantescas de CO² e outros gases que causam o efeito estufa, perda da qualidade do ar, desflorestamento com aumento de doenças que já foram erradicadas das áreas urbanas. Podemos citar as doenças Malária e Chagas que estão tomando conta dos espaços urbanos do Brasil. Isso acontece porque os pernilongos e insetos que são vetores dessas doenças, não tendo floresta, vêm para a área urbana. Toda flexibilização das normas ambientais gera catástrofes climáticas globais que afetam, principalmente, as concentrações urbanas.

O relator do Projeto afirma que as mudanças não afetariam em nada a vida na área urbana, e que as críticas ao texto são feitas por pessoas desinformadas. Qual sua avaliação sobre a afirmação?

A partir do momento em que se aumenta a fronteira agrícola do agronegócio, em que permite desmatamento nas cabeceiras e nascentes de rios e APPs, vai faltar água para as grandes concentrações urbanas. Isso já acontece no Rio de Janeiro, Bahia e região metropolitana de São Paulo. Nesses locais a briga por água já começa ficar avançada. Isso pode ser visto no projeto de transposição de águas da bacia do já superpoluído e quase exterminado rio Paraíba para alimentar a necessidade da população metropolitana da cidade de São Paulo. Essa afirmação do deputado é totalmente inverídica do ponto de vista ambiental.

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segunda-feira, 25 de abril de 2011

I SEMINARIO DO SINPRO MACAÉ E REGIÃO - PROGRAMAÇÃO


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O CEPRO INDICA: I SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO DO SINPRO MACAÉ E REGIÃO


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domingo, 24 de abril de 2011

RESSURREIÇÃO: REVOLUÇÃO NA EVOLUÇÃO

Por Leonardo Boff

A todos Feliz Páscoa com alegria e esperança!

Para o cristianismo a cruz e a morte da sexta-feira santa não detém a última palavra. A palavra derradeira que o Criador pronunciou sobre o destino humano é ressurreição. Por isso, a festa central do Cristisnianismo não é o Natal que celebra o nascimento do Libertador das gentes nem a Sexta-feira Santa que comemora o martírio do Messias.

Se ele, após a crucificação, não tivesse ressuscitado, estaria seguramente no panteão dos heróis da humanidade, mas não teria uma comunidade que lhe guardaria a memória sagrada. Mas ele ressuscitou. Em razão disso, o Cristianismo não celebra uma saudade do passado, mas festeja uma presença no presente.

Então fica claro, contrariando os existencialistas modernos que afirmam sermos seres para a morte: não vivemos para morrer; morremos para ressuscitar.

O que o Cristianismo tem a oferecer à humanidade se unificando como espécie é fundamentalmente isso: a promessa de ressurreição para toda a carne, para cada pessoa e para a inteira criação. Quem não quer viver sempre e plenamente?

Mas importa compreender bem o que se entende por ressurreição se quisermos captar sua relevância universal.

Antes de mais nada, cabe lamentar que ela foi cedo abandonada como eixo estruturador da fé cristã. Em seu lugar entrou o tema platônico da imortalidade da alma. A ressurreição foi relegada para o fim do mundo e não para acontecer já na morte como era a convicção da Igreja dos primórdios. Como ninguém sabe quando este fim do mundo vem, a ressurreição não representa um elemento, portador de esperança de vida. Por isso que muitos cristãos, ainda hoje, vivem tristes como se fossem ao prório enterro.

Ademais, a ressurreição não é sinônimo de reanimação de um cadáver como o de Lázaro. Lázaro voltou à vida que tinha antes. Ora, esta vida é mortal, pois vamos morrendo em prestações, devagar, até acabar de morrer. A reanimação do cadáver não nos liberta da morte. Lázaro morreu de novo e foi sepultado. E lá ficou definitivamente.

Ressurreição significa bem outra coisa. É a entronização de alguém numa ordem de vida que não tem mais nenhuma entropia e nenhuma necessidade de morrer. É uma vida tão inteira que não deixa nenhuma brecha pela qual a morte pode entrar. Portanto, é a realização da utopia de uma vida sem fim e absolutamente realizada. Tal evento benaventurado só é possível à condição de o processo evolucionário ter chegado, por antecipação, à sua culminância, quando todas as potencialidades do ser humano se tiverem absolutamente realizado. Representa, pois, uma revolução na evolução. Daí implode e explode o ser novo que vinha embrionariamente se formando ao longo dos bilhões e bilhões de anos, até fechar o seu ciclo de realizações. São Paulo fala que com a ressurreição irrompeu o “novíssimo Adão”.

Quando se fala assim de ressurreição, se acredita que tal singularidade ocorreu em Jesus. A grama não cresceu sobre sua sepultura. Ela ficou aberta para proclamar o fato mais decisivo do universo: a superação da morte; mais ainda, a possibilidade real de transformação da utopia em topia dentro do horizonte cósmico e histórico: o triunfo do princípio de vida.

Que faz, concretamente, a ressurreição? Realizar plenamente nossa essência que consiste em sermos um nó de relação e de comunicação, voltada para todos os lados. A ressurreição suprime os limites de realização do espaço-tempo desse nosso nó, potenciando-o ao infinito, já que, por natureza, somos um projeto infinito. O corpo ressuscitado vira pura comunicação e ganha uma dimensão igual a do cosmos. Por isso o corpo ressuscitado enche todo o universo e ocupa todos os espaços.

Um dito do evangelho apócrifo de São Tomé, descoberto em 1945 no norte do Egito, deixa o Ressuscitado falar assim:”Tudo saiu de mim e tudo volta a mim. Rache a lenha e eu estou dentro dela. Levante a pedra e estou debaixo dela. Eis que estarei convosco todos os dias até o final dos tempos”. Quer dizer, pela ressurreição, Jesus ganhou uma dimensão cósmica. Ele se encontra em todas as coisas até naquelas mais comezinhas como cortar lenha e levantar pedras.

Pelo espírito estamos na lua, no sol, nas galáxias mais distantes, estamos em Deus. Mas nosso corpo não consegue acompanhar no espírito. Fica enraizado no espaço e no tempo, agrilhoado ao sistema da matéria. Voando à velocidade da luz precisamos de 8 segundos para chegar até o sol e três anos luz, à estrela mais próxima, a Alfa do Centauro. O corpo ressuscitado supera a velocidade da luz. Ele está imediatamente lá onde está o seu desejo.

O corpo assume as características do espírito e o espírito aquelas do corpo. Não deixamos o mundo. Mas penetramos mais profundamente no coração do mundo até aquele ponto onde tudo é um e para onde tudo converge, constituindo o Todo.

A humanidade que está em Jesus, está também em cada um de nós. Se nele se verificou tal evento de bem-aventurança é sinal de que vai acontecer também em nós. Ele é apenas o primeiro entre muitos irmãos e irmãs, como atesta São Paulo. Todos nós o seguiremos e, do nosso jeito singular, ressuscitaremos também como ele na morte.

Então como diz o grande bispo, profeta e poeta, Dom Pedro Casaldáliga: a alternativa cristã é: ou a vida ou a ressurreição.

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sábado, 23 de abril de 2011

DIA DA MÃE TERRA

O Dia da Terra, 22 de abril, é uma data festiva comemorada em muitos países do mundo. A data foi criada nos Estados Unidos por Gaylord Nelson, senador e ativista ambiental. Além de criar a data, o senador lutou pela divulgação e promoção dos objetivos desta data.

A data foi criada com o propósito de abrir discussões em todo mundo sobre a importância da preservação dos recursos naturais do planeta Terra. Além disso, tinha como objetivo criar uma consciência mundial sobre os problemas da contaminação, destruição da biodiversidade, uso não sustentável dos recursos naturais, desmatamentos e outros problemas que ameaçam a vida em nosso planeta.

A primeira manifestação aconteceu nos Estados Unidos em 22 de abril de 1970. Participaram milhares de pessoas, principalmente estudantes de universidades e escolas. A pressão sobre o governo norte-americano foi grande e este criou a Agência de Proteção Ambiental.

O Dia da Terra é uma data comemorativa que não é controlada ou organizada por uma entidade específica. Ela pertence a humanidade e, por isso, pode ser comemorada livremente no mundo todo, adequando-se a realidade de cada região.


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MAESTRO ARTUR MOREIRA LIMA FAZ SHOW GRATUITO NO SÁBADO

Além das maravilhosas praias e da rede de gastronomia, Rio das Ostras vai oferecer para moradores e turistas um programa especial no feriadão da Semana Santa – o show do pianista Artur Moreira Lima.

O projeto Um Piano pela Estrada, desenvolvido desde 2008 pelo maestro Artur Moreira Lima, leva música, universal e brasileira, à população em shows gratuitos. A apresentação acontece num caminhão-teatro, que já realizou mais de 300 apresentações, levando cultura a quase um milhão de pessoas, em cerca de 170 mil km de percurso, por 24 estados brasileiros.

O caminhão-teatro ficará estacionado na Praça São Pedro, no Centro da Cidade. O concerto tem cerca de 1h30 de duração. No repertório, o pianista mescla música clássica universal a clássicos da MPB, interpretando Bach, Beethoven, Chopin, Mozart e Villa-Lobos; e os intercala com músicas populares que se tornaram clássicos. É assim que entram Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Luiz Gonzaga e, da Argentina, Astor Piazzolla – de quem Moreira Lima fez a primeira transcrição para o piano.

Projeto conjunto – A proposta é levar, além de cultura, saúde à população. Junto com o concerto de piano, acontecerá em uma escola do município um projeto paralelo - Um Sorriso Pela Estrada. O projeto conta com palestras educativas sobre prevenção, saúde geral e bucal, higiene e aplicação de flúor, sob a direção de odontólogas especializadas. Os alunos da Escola Municipal João Bento Duarte, em Nova Esperança, receberão a equipe na segunda-feira, dia 25, das 15h às 17h. Este projeto tem o apoio do Ministério da Saúde e parceria com ABO Nacional.

O projeto Um Piano pela Estrada é uma realização da Petrobrás e Caixa Econômica Federal, com patrocínio da Thyssen Krupp e Poupex, através da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Rio das Ostras.


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terça-feira, 19 de abril de 2011

NA DEFESA DOS POVOS INDÍGENAS



Por Agência Senado

A data comemorativa foi criada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, por meio do Decreto-Lei 5.540. A escolha desse dia deve-se à realização, em 19 de abril de 1940, no México, do primeiro congresso indigenista interamericano, do qual participaram autoridades governamentais e líderes indígenas do continente.

Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), vivem, atualmente, no Brasil, cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas. Esse número corresponde a 0,25% da população brasileira. Os dados levam em conta somente os índios que vivem em aldeias, mas as estimativas apontam que há, além desses, entre 100 mil e 190 mil vivendo fora de suas terras, inclusive em áreas urbanas. Há ainda 63 referências de índios ainda não contatados.

A Funai catalogou também as diversas etnias indígenas nos estados brasileiros. De acordo com esses dados, o Amazonas tem a maior população indígena, com 83.966 índios. Em seguida, vem o Mato Grosso do Sul, com 32.519, o Mato Grosso, com 25.113, e o Pará, com 20.185. Mais da metade da população indígena vive, portanto, nas regiões Norte e Centro-Oeste, principalmente na área da Amazônia Legal. Mas há índios vivendo em todas as regiões brasileiras, em maior ou menor número, segundo a Funai.

Desde 1987, sete equipes da Funai tratam da localização e proteção dos índios isolados. Denominadas Frentes de Contato, essas equipes atuam nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Goiás.

Estima-se também que 1.300 línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos. Hoje, são 180, número que exclui aquelas faladas pelos índios isolados, que ainda estão sem contato com a sociedade e cujas línguas não foram, portanto, catalogadas nem estudadas.


Para a Funai, o desaparecimento de tantas línguas "representa uma enorme perda para a humanidade, pois cada uma delas expressa todo um universo cultural, uma vasta gama de conhecimentos, uma forma única de se encarar a vida e o mundo".

Pobreza

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado em 2010, intitulado "O estado dos povos indígenas no mundo", existem mais de 370 milhões de índios, em cerca de 90 países. Eles correspondem a apenas 5% da população mundial, mas representam 15% do total de pessoas pobres contabilizadas no planeta. De acordo com esse relatório, os povos indígenas enfrentam discriminação sistemática e são excluídos do poder político e econômico.

Na América Latina, por exemplo, as taxas de pobreza dos índios são sempre superiores às do restante da sociedade: no Paraguai, essa taxa é 7,9 vezes maior; no Panamá, 5,9 vezes maior; no México, 3,3 vezes maior; e na Guatemala, 2,8 vezes maior. Com relação ao Brasil, a ONU cita que, entre 2000 e 2005, a taxa de suicídios entre os índios guaranis foi 19 vezes maior do que a média brasileira. O estudo registra ainda que os índios vivem cerca de 13 anos a menos na Guatemala, dez anos a menos no Panamá e seis no México, observando que a taxa de mortalidade infantil entre essa população é 70% superior à da população não indígena da América Latina.

No Brasil, dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), divulgados em maio de 2010, indicam que 51,3% das crianças indígenas com até cinco anos de idade apresentam anemia, problema normalmente decorrente de uma dieta pobre em ferro e que provoca baixo desenvolvimento. Os pesquisadores do Ministério da Saúde visitaram 113 aldeias, onde entrevistaram 6.707 mulheres (com idades de 14 a 49 anos) e 6.285 crianças (com até 60 meses de vida).

Chegada dos europeus

Segundo historiadores, estimativas sobre o número de nativos que viviam no Brasil à época da chegada dos europeus ao continente variam entre um milhão e dez milhões de pessoas. Em todo o continente americano, calcula-se que existiam mais de 400 etnias, das quais cem na América Central e na América do Sul.

Estudo feito em 2008 por uma fundação patrocinada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontou que o Brasil era o país da América Latina coma maior concentração de índios, contabilizando 522 povos.

Outro estudo anterior, datado de 2005, intitulado "O Mundo Indígena", apontava o México como o país que mais concentrava índios no continente - com 12,7 milhões de pessoas -, seguido da Guatemala, com seis milhões. Por esse estudo, o Brasil mantinha, no entanto, a maior diversidade de etnias indígenas.



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domingo, 17 de abril de 2011

18 DE ABRIL: DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL


Esta data especial foi instituída pela Lei 10.402/02 para lembrar o nascimento do escritor, editor e jornalista José Bento Monteiro Lobato, em 18 de abril de 1882.

Sua obra é das mais originais da literatura infanto-juvenil. Os livros publicados a partir de 1920 eternizaram no imaginário do brasileiro personagens como Emília, Narizinho, Pedrinho, Tia Anastácia, Dona Benta, Cuca, Saci e Visconde de Sabugosa.

As aventuras lobatianas são vividas por essas figuras bem brasileiras, que resgatam o folclore nacional e os costumes da roça, misturadas a personagens da literatura universal, mitologia grega, quadrinhos e cinema.

Conhecida como Sítio do Pica-pau Amarelo, nome dado ao cenário das histórias, a série tem mais de uma versão televisiva.

Outro personagem-símbolo de Monteiro Lobato é Jeca-Tatu. O caipira preguiçoso e sempre cansado aparece nos contos do autor em 1914 e desmistifica o mundo rural, idealizado até então.

Durante toda sua vida, Lobato escreveu para jornais e revistas, nos quais defendia o desenvolvimento do Brasil em diferentes áreas. O escritor viveu em várias cidades do interior – inclusive Taubaté, sua terra natal –, nos Estados Unidos e na capital de São Paulo até os 66 anos.



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sábado, 16 de abril de 2011

MST RECEBE HOMENAGEM NA ALERJ EM DIA DE LEMBRANÇA DO MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS


Por Jean Oliveira

Trabalhadores rurais vindos de diversos acampamentos e assentamentos lotaram o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) na manhã desta quinta-feira (14). Desta vez não foram tratados como invasores mas como convidados. Foram receber das mãos do deputado Paulo Ramos a medalha Tiradentes concedida ao MST, umas das mais importantes honrarias entregues pelo poder público a pessoas e instituições.

A cerimônia, iniciada às 10h, contou com a presença de alguns dos mais importantes defensores dos movimentos sociais. Além do deputado Paulo Ramos, participaram da solenidade os dirigentes dos sindicatos dos petroleiros, Emanuel Cancella, e dos economistas, Sidney Pascoutto, o cônsul da Venezuela
no Rio, Edgar Gonzalez Marin, a atriz da companhia Ensaio Aberto, Tuca Moraes, o jurista Miguel Baldez, e os deputados Robson Leite, Gilberto Palmares e Inês Pandeló, todos do PT, além da dirigente nacional do MST Marina dos Santos. Os deputados Marcelo Freixo (PSOL) e Jânio Mendes (PDT) também prestigiaram o evento.

Para o deputado Paulo Ramos, proponente da homenagem, a medalha Tiradentes tem uma grande importância simbólica, "pois neste momento vários povos da América do Sul estão enfrentando o capitalismo". Ao final da cerimônia, o MST e dezenas de entidades presentes fizeram um ato público nas escadarias da Alerj e caminharam até a sede do Incra, na Av. Presidente Vargas, para lembrar a sociedade os 15 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará.


Reforma agrária e modelo político

Para todos os oradores, a reforma agrária avançou praticamente nada nesses últimos 15 anos. A deputada Inês Pandeló ressaltou que nos últimos três anos nenhuma família foi assentada no estado do Rio. “É uma vergonha o Brasil ter avançado na democracia mas não ter feito a reforma agrária.” Para Marcelo Freixo, o Incra (órgão do governo criado para conduzir a reforma agrária) tem prestado um desserviço à luta pela reforma agrária. “Quem diz que o governo é de todos está mentindo para alguém. Ou se investe no agronegócio ou na reforma agrária. Tem que escolher de que lado está”, afirmou o deputado do PSOL.


Já para o deputado Robson Leite, o problema está no modelo político. Ele defendeu a mudança do atual modelo representativo para um modelo participativo. “As poucas conquistas que tivemos nos últimos anos se deram por causa dos movimentos sociais. São estes 27 anos do MST que nos mantém na luta pela reforma agrária.” Com relação aos nossos representantes no Parlamento, Emanuel Cancella, do Sindipetro-RJ, ponderou dizendo que “se por um lado temos um Bolsonaro, por outro temos um Paulo Ramos, que está não só na luta pela reforma agrária mas também na luta pelo petróleo brasileiro”.

Ainda sobre o modelo político vigente no país, o deputado Gilberto Palmares criticou o fato de que o Congresso Nacional só se sente pressionado quando o tema é de interesse das elites. “Estão pressionando pela reforma do Código Florestal, então porque não pressionam pela aprovação da PEC do trabalho escravo?”, indagou o deputado do PT.


Reforma agrária e desenvolvimento

Outro modelo, o de desenvolvimento, foi amplamente criticado por vários dos oradores. Sidney Pascoutto, dirigente do Sindecon-RJ e conselheiro do Corecon-RJ, expôs suas preocupação “pois não discutimos que desenvolvimento queremos para o país”. Com relação especificamente ao campo, a dirigente nacional do MST, Marina dos Santos, detalhou os dois modelos de desenvolvimento em curso: o agronegócio e a agricultura familiar. Sobre o agronegócio, Marina destaca que ele se baseia na concentração de terras, na
utilização excessiva de agrotóxicos e na superexploração do trabalho. Em contrapartida, a agricultura familiar produz alimentos saudáveis, defende a natureza e oferece qualidade de vida aos trabalhadores do campo. Cancella sintetizou o que seria um novo modelo de desenvolvimento rural para o Brasil: “Queremos a reforma agrária para dar dignidade às famílias pobres de nosso país. Em troca, elas produzirão alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, para todos os brasileiros”, concluiu.


Paulo Ramos acrescentou uma observação importante sobre a economia brasileira, que acaba por influenciar no desenvolvimento do país. Para ele, “nosso modelo econômico é desnacionalizante, exportador, concentrador de renda e corrupto”.


A "cerca jurídica"

Para o jurista Miguel Baldez, há duas cercas que impedem os trabalhadores rurais de terem a tão sonhada terra para plantar e colher. “Não é apenas a cerca de arame farpado. A cerca mais cruel é a 'cerca jurídica' criada em torno da terra no Brasil". Segundo ele, esta “cerca jurídica” é uma cerca morta e invisível, mas é sustentada por uma “cerva viva” formada por juízes, promotores e políticos. Além de Eldorado dos Carajás, Baldez lembrou outras lutas pela terra que foram desvirtuadas ou mistificadas pela história oficial, como Canudos e Contestado, e concluiu dizendo que “a luta do MST é a luta fundamental do povo brasileiro”.


Eldorado: “não é aniversário, é lembrança”

Ao encerrar uma encenação, que os movimentos sociais chamam de “mística”, realizada no plenário da Alerj durante a solenidade, Josiane, assentada no Pará desde os tempos da chacina de Eldorado dos Carajás, deixou claro o sentimento de todos sobre o dia 17 de abril de 1996. “Não estamos comemorando o aniversário de 15 anos, estamos lembrando o que aconteceu em Eldorado.” Mais tarde, Marina dos Santos, ao receber das mãos do deputado Paulo Ramos a medalha Tiradentes, reiterou o discurso de Josiane e contou a história do conflito que deixou 19 trabalhadores mortos, entre eles o jovem Oziel Alves, de 17 anos, que desafiou os policiais assassinos ao gritar, de joelhos, “viva o MST, viva a reforma agrária”, antes de ser fuzilado pelas armas oficiais do estado do Pará.


Marina concluiu seu discurso lembrando que o dia 17 de abril se tornou o dia nacional e internacional de luta pela terra e afirmando que “como o menino Oziel vamos seguir lutando até a morte pela reforma agrária neste país”.


Fonte: Agência Petroleira de Notícias


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sexta-feira, 15 de abril de 2011

APESAR DAS DORES

Chico Alencar

A dor inconsolável das famílias que perderam suas crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, desperta consternada solidariedade. Ver adolescentes executados no espaço sagrado e aparentemente seguro da sala de aula é mais absurdo ainda e nos impõe profunda reflexão.

É certo que este massacre não se insere no painel tristemente costumeiro da criminalidade, mas no da violência social insana. Os gatilhos exterminadores também foram apertados, de forma invisível, por todos os que temos responsabilidade pública, já que qualquer ato de repercussão coletiva tem propulsores sociais. Todo “ponto fora da curva” reflete, em seu traço, algo da própria curva.

O assassino da escola provocou tamanha letalidade porque é frouxo o controle da circulação de armas e munição em nosso país. O armamentismo ilegal, crescente, é favorecido também pela noção importada do “cada indivíduo uma arma”. Urge restabelecer o monopólio exclusivo da força para os agentes públicos do Estado de Direito Democrático, que o referendo de 2005 negou.

O criminoso imbuiu-se da “missão de terror” alimentado por meios massivos de “entretenimento” que disseminam serial killers, videogames e filmes propagadores da violência, da eliminação dos adversários, do sexismo machista, do espetáculo da destruição.

O transtornado, no seu isolamento, distante de política pública de saúde mental articulada com instituições de ensino, cristalizou comportamento mórbido talvez também estimulado por fanatismos maniqueístas, que segmentam o mundo em “puros e impuros”.

O matador encontrou mais facilidades no seu trajeto de morte porque nossas precarizadas escolas públicas já não têm quantitativo de servidores que possa contribuir para maior segurança do cotidiano pedagógico. Situações atípicas são quase sempre inevitáveis, mas seus efeitos devastadores podem ser mitigados. Maior efetividade da ronda escolar contribuiria para isso, sem transformar nenhuma escola - espaço comunitário de troca e alegria – em bunker.

O homicida foi produzido também por nossa indiferença. Quem sabe até por nossa adesão ao mundo da competição desvairada, da anulação do diferente, da naturalização das agressões e do bullying opressor. Ambiente civilizatório perverso que muito(a)s educadore(a)s e cidadãos comuns – tantas vezes vítimas dele – lutam por transformar, para que exista possibilidade de futuro.

O poeta que dá nome à escola enlutada afirma que “nós temos uma visão clara desta hora: sabemos que é de tumulto e incerteza”. E proclama o “anúncio do que virá, uma reiniciação na esperança, uma promessa de esplendor” (Tasso da Silveira, “Intróito”, 1932). Apesar da aguda dor, esperancemo-nos, teimosa e operosamente.


*Chico Alencar é deputado federal (PSOL/RJ) e escreveu para ‘O Globo’, em 14 de abril de 2011.


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quinta-feira, 14 de abril de 2011

ENTREVISTA COM LEONARDO BOFF

Ana D´Angelo (SP)


Leonado Boff salienta inter-relação entre tudo e o poder de pequenas ações produzirem grande mudanças
 
O teólogo e filósofo Leonardo Boff tem dedicado-se nos últimos tempos à luta por um novo paradigma ecológico. Autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística, nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ele fala sobre os desafios e também oportunidades de ação e reinvenção diante dos dilemas do sistema político-econômico que acabou por gerar a degradação ambiental. Cooperação, corresponsabilidade e atitudes individuais de amor e respeito, em sua análise, têm poder de transformação da realidade. Leonardo Boff fala também sobre a biodiversidade, espiritualidade e futuro dos países emergentes.

Brasil de Fato – Como escutar o grito da Terra em um sistema político-econômico surdo para o que não é veloz, lucrativo e produtivo?

Leonardo Boff – Há uma confrontação total entre o sistema econômico vigente e o sistema-vida e o sistema-Terra. Aquele busca a produção cada vez maior em vista do consumo que exige a depredação da Terra e como consequência a produção de perversas desigualdades sociais. Estes visam o equilíbrio de todos os fatores para que a Terra possa manter sua capacidade de reposição dos recursos usados por nós e de integridade de sua natureza. O primeiro tem essa preocupação: quanto posso ganhar? O segundo: como posso produzir em equilíbrio com a natureza e preservando sua vitalidade? Enquanto essa equação não se resolver o grito da Terra nunca será ouvido. E a degradação continuará até um limite não mais suportável que se revela pelo aquecimento global. Aí a humanidade deve resolver: ou mudar ou ir desaparecendo.

A sustentabilidade tem sido usada por vários setores da sociedade para indicar falsas preocupações ambientais, produtos que se autodenominam verdes, empresas que se dizem responsáveis socialmente, mas não o são para com empregados, clientes etc. Frente ao consumo em escala gigantesca, o termo sustentabilidade ou a causa ambiental não estariam sendo absorvidos por um modo de produção que se mostrou fracassado e agressor da vida?

A sustentabilidade e o crescimento econômico obedecem a lógicas diferentes. A sustentabilidade pressupõe a interdependência de todos com todos, a cooperação e a coevolução de todos, respeitando cada ser por possuir valor intrínseco. O crescimento econômico é linear, pressupõe a dominação da natureza e o uso utilitarista dos seres que apenas tem sentido na medida em que se ordenam ao ser humano. A sustentabilidade representa um novo paradigma que se opõe ao paradigma de violência contra a natureza. Exige um novo acordo de sinergia, de respeito e de sentimento de pertença à natureza sendo a parte consciente e responsável dela. A utilização que se faz da sustentabilidade pode melhorar alguns aspectos da redução de gases de efeito estufa, mas não muda a lógica de pilhagem da natureza em vista da acumulação. A Terra será sempre vista como um baú de recursos, nunca como Gaia, como Grande Mãe, um superorganismo vivo que se autorregula de tal forma que sempre se faz apto a produzir e reproduzir vida.

Como cada um pode colaborar para a reversão da falência da forma de vida e produção que temos até hoje? Em entrevista por ocasião dos 70 anos do senhor, o senhor teria dito: “Nunca aceitei o mundo assim como está”.

A crise é global e por isso atinge a cada um. E cada um é convocado a dar a sua colaboração Uma gota de água caída do céu não significa nada. Mas milhões e milhões de gotas produzem um grande chuva e até uma tempestade. Devemos pensar em termos quânticos: tudo tem a ver com tudo em todos os momentos e circunstâncias. Tudo se encontra inter-retro-conectado. Então, o bem que pessoalmente faço não fica reduzido ao meu mundo. Entra no circuito das interdependências e pode deslanchar grandes mudanças. Se não posso mudar o mundo, sempre posso mudar esse pedaço de mundo que sou eu mesmo. E aí pode se encontrar a semente de uma grande mudança.

Me lembro ainda de um artigo do senhor em que propunha refundar a ética diante da crise mundial de valores. Que caminhos temos hoje neste sentido?

Todos os códigos éticos atuais provêm de culturas regionais. Cada cultura produz seus parâmetros éticos para poder criar a convivência mínima entre todos. Ocorre que hoje vivemos uma fase nova da Terra e da Humanidade, a fase planetária. Todos estamos juntos na mesma Casa Comum. Ninguém tem direito de impor seus valores particulares ao todo. Por isso deve-se refundar a ética a partir de algo básico, comum a todos, de forma que todos possam se identificar com aqueles valores e princípios. Eu vejo que o eixo se estrutura ao redor dos valores ligados à vida, à Humanidade e à Mãe Terra. Para mim cinco são os valores de base: o cuidado para com todo o ser; a compaixão para com todos os que sofrem na espécie humana e na natureza; a cooperação de todos com todos porque foi a cooperação que nos permitiu o salto da animalidade à humanidade; a corresponsabilidade por tudo o que existe e vive; devemos ter consciência das conseqüências de nossos atos, alguns dos quais podem ser letais para toda a espécie humana; um senso mínimo espiritual segundo o qual a vida tem sentido, o universo não é absurdo, a verdade sempre representa um valor e o amor é o laço que une todos os seres e traz felicidade à vida.

Um fórum chamado Geopolítica da Cultura, realizado em novembro de 2010 na Cinemateca, em São Paulo, partiu do pressuposto que as novas economias reunidas no Bric já emergiram e a elas caberá definir o novo papel no mundo que se conforma pós-crise. O senhor acredita nessa possibilidade de gestão autônoma e criativa dos ex-emergentes? O Fórum propôs ainda uma transformação da singularidade cultural brasileira em valor estratégico que beneficie o povo. Pouco depois do final do Fórum, vimos explodir o conflito do tráfico e milícias e polícia no Rio de Janeiro. Ou seja, no outro extremo, outra singularidade brasileira, a violência, tomou a cena. Gostaria que o senhor comentasse.

Os Brics são importantes porque, formando o Grande Sul, quebram a hegemonia do Norte e obrigam as potências econômicas e militaristas a ouvi-los. Na medida em seu peso se fizer sentir, podem definir certos rumos do curso da história atual. Mas em termos de paradigma eles são miméticos: imitam as lógicas de potências ocidentais, lógicas essas que levaram a Terra à atual crise. Elas não são alternativas. Antes, podem acelerar a gravidade da crise. Se a China e a Índia quiseram consumir como o Ocidente (e cada um desses países possui uma classe média de pelo menos de 300 milhões de pessoas) seguramente irão desestabilizar o processo produtivo da Terra, com reflexos imediatos na política mundial. Esta não terá suficientes recursos para atender às demandas desses novos consumidores. Já dizia Gandhi em 1950: “Se a Índia quiser ser como a Inglaterra, ela precisa de duas Terras. A Terra é suficiente para todos mas não o é para os consumistas”.

Quanto mais informadas as pessoas e desenvolvidas as cidades, vemos uma preocupação maior com a sustentabilidade, reciclagem, reuso, alimentação orgânica, preservação dos biomas, plantio de árvores. Entretanto, valores como a solidariedade e ações coletivas ainda encontram obstáculos em sociedades/cidades cada vez mais egoístas, inseguras (literalmente) e materialistas. O senhor concorda? Que caminhos enxerga para as grandes cidades e seus habitantes?

Eu acho que o problema todo se resume numa relação nova para com a natureza e a Terra. Devemos partir da constatação de que pertencemos à natureza, somos a parte consciente e amante da Terra e simultaneamente a parte desequilibradora e destruidora dela. Temos a mesma origem e teremos o mesmo destino. Então se impõe uma relação de sinergia, de respeito, de veneração, de produção do suficiente e do decente para nós e para toda a comunidade de vida que também precisa da biosfera. Se não refizermos a aliança natural para com a Terra e a natureza, poderemos ir ao encontro do pior. Possivelmente só iremos aprender e tomaremos decisões fundamentais quando grandes ameaças atingirem nosso destino e percebermos que não temos outra alternativa senão mudar: o modo de relacionamento para com todos os seres, as formas de produção e de consumo e os espaços de convivência pacífica e tolerante entre os mais diversos povos. Talvez dando espaço ao capital espiritual que não tem limites à diferença do capital material que é limitado, quer dizer, cultivando os valores da solidariedade, da convivência pacífica, do cuidado para com todas as coisas, da espiritualidade explícita como a meditação, a expressão artística e estética, o autoconhecimento e outras dimensões que formam o caráter exaurível e profundamente realizador do mundo espiritual, construiremos um outro caminho que nos leva a uma Terra da Boa Esperança (Ignacy Sachs) e a uma biocivilização.

O quão fundamental é a espiritualidade em tempos bicudos como o atual? Como manter a fé sem ilusões sobre a realidade humana?

Os tempos atuais são dramáticos. Isso não representa ainda uma tragédia anunciada. Mas significa seguramente uma grande crise de civilização. Dizem-nos os antropólogos que em tempos assim fervilham as religiões e se aprofundam os caminhos espirituais. Eles formam aquele campo da experiência humana onde se elaboram os grandes sonhos e utopias, conferindo sentido à vida e rasgando horizontes de esperança. Bem dizia Ernst Bloch: “onde há religião, há esperança”; “o verdadeiro gênese não está no começo, mas no fim”. Isso podemos verificar atualmente. A despeito do caráter fundamentalista de muitas expressões religiosas, há uma efervescência do religioso, do sagrado e do místico irrompendo em todas as partes e em todos os estratos sociais. Quer dizer, os seres humanos estão cansados de materialidade, de eficiência, de consumo e de racionalidade. O segredo da felicidade e a quietude do coração não se encontra nas ciências, nem na acumulação de poder, mas no cultivo da razão sensível e cordial, aquela dimensão do profundo humano onde medram os valores e vige o mundo das excelências. Daí nascem os sonhos e os valores que podem inspirar um novo ensaio civilizatório.

O que o senhor espera (ou tem visto) das rodadas de palestras propostas na sua parceria com a Fundação Avina sobre biodiversidade?

A biodiversidade é o ponto mais vulnerável do sistema-Terra. São as espécies, as mais diversas, e por minúsculas que sejam como insetos, a variedade de plantas e os microorganismos que respondem pelo equilíbrio e a vitalidade da Terra. Tudo é sistêmico. Um pouco mais de calor em uma região faz com que as flores do café murchem, o trigo não se abra e o milho não cresça, obrigando os produtores a mudarem de região. O sistema-Terra é complexo, mas frágil. Mínimas mudanças podem acarretar, devido ao caráter sistêmico, grandes mudanças no todo. Daí é importante valorizar cada ser, cada ecossistema, cada gota de água, pois tudo pode ajudar ou impedir a vida florescer e brilhar. Isso pressupõe um novo olhar diante da natureza, do universo e da Mãe Terra. Essa nova ótica produz uma nova ética, de encantamento, de respeito, de convivência jovial com todos os seres da criação.



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TRANSFORMAÇÃO DA ESCOLA: DA PRÁTICA À TEORIA

Caminhos para transformação da Escola – reflexões desde práticas da Licenciatura em Educação do Campo, organizado por Roseli Salete Caldart e com artigos de Andréa Rosana Fetzner, Romir Rodrigues e Luiz Carlos de Freitas, é uma grande contribuição para educadores e educandos que buscam novas referências teóricas e práticas para a criação de uma escola para os trabalhadores.

Esta publicação comemora os 15 anos do Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa da Reforma Agrária (Iterra), em 2010, com experiências e reflexões sobre a educação desenvolvidas pelo MST. Dividido em três partes, o livro trata sobre os seminários e documentos de sistematização, sobre a organização escolar e o trabalho pedagógico e as reflexões específicas sobre a Educação Básica de Nível Médio.

Em todos os textos há uma preocupação em relatar e sistematizar as experiências pedagógicas à luz do marxismo, relacionando a história da educação brasileira, suas principais teses e as propostas de superação da realidade atual. Essa retomada da vertente marxista pode ser claramente identificada no artigo A Escola Única do Trabalho: explorando os caminhos de sua construção, de Luiz Carlos Freitas (Unicamp). Estudioso de Moisey Pistrak, pioneiro da revolução educacional russa, traduziu o surpreendente relato da experiência pedagógica da primeira fase da revolução russa, o Escola-Comuna.

É surpreendente ler as análises sobre cada um dos temas da educação, como a questão dos ciclos, da interdisciplinaridade, os conteúdos das áreas, a organização escolar, etc, contextualizados na história da educação brasileira e nas experiências de criação de uma nova escola. As experiências de licenciatura em educação do campo apresentam alternativas concretas, como a de conteúdos específicos da realidade dos trabalhadores rurais, bem como a reorganização da escola, retirando a sala de aula do centro e relacionando-a com a vida de seu entorno.

Questões como currículo são debatidas à luz da noção de complexo de estudo com base nas análises de Moisey Pistrak, Celestin Freinet, Isabela Camini e Roseli Caldart. Uma relação dinâmica entre a teoria marxista e as experiências desenvolvidas pelos educadores e educandos do MST. Leitura obrigatória nesse sentido é o livro de Isabela Camini, Escola Itinerante – na fronteira de uma nova escola. A autora analisa a história e realidade de uma escola criada na luta contra a educação liberal burguesa pelo MST. E tanto no livro Escola Itinerante quanto no Caminhos para transformação da Escola, os autores colhem o resultado de anos e anos de experiências para a criação de uma nova teoria e uma nova prática educacional transformadoras.

E nesses caminhos para a transformação da Escola encontramos um acerto de contas teórico. Não há como seguir em frente se não for possível discutir os conceitos educacionais no campo do marxismo, como faz Freitas com a matriz teórica da pedagogia histórico-crítica. Parafraseando Pistrak (Freitas, 2009) poderíamos dizer que o que se propõe é uma “prática social sentada” no interior das salas de aula das nossas escolas. Talvez este seja o limite das nossas escolas, mas não pode ser o limite da nossa teoria.”(p.163)

O desafio é criar uma teoria pedagógica que ultrapasse as limitações da atual escola liberal burguesa para a criação da Escola Única do Trabalho. Como explica Freitas (p.174): “À medida que a experimentação desses processos avance, poderemos começar a lidar com situações concretas encontradas pelas escolas e que poderão mostrar melhor o que se pretende com esta abordagem. Os caminhos aqui apresentados, com certeza, serão recriados pelas próprias escolas na prática. Esta atividade prática do magistério, em espaços privilegiados como o dos movimentos sociais, deve ser a base para a construção coletiva, com o magistério, de uma nova escola e sua teoria pedagógica correspondente, como queria Krupskaya.”

Cecilia Luedemann é jornalista e professora universitária



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ÁGUAS E ÁGUAS

Para muitos cientistas, o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou.

Quando a Bíblia fala em "água", está falando de algo benfazejo, bom, comparando até o próprio Deus da Vida como "um rio de água viva". É a água serena de um rio calmo, de um banho revitalizante, de um copo d'água cristalino quando temos muita sede. Também de uma chuva serena, que irriga a terra e faz a ressurreição da caatinga depois de meses sem chuva. Então tudo reverdece, o que parecia morto revive e a vida explode em toda sua biodiversidade e beleza.

É essa água que buscamos de modo incessante, assim como o povo do nosso semi-árido, guardando-a até numa simples cisterna, para que ela não falte nos períodos em que normalmente não haverá chuvas. É dessa forma que aproximadamente 400 mil famílias já adquiriram sua cisterna, participando de uma luta coletiva que lhes dá o mínimo para viver.

Também na briga pelo Rio São Francisco, ou na resistência a obras estúpidas como Belo Monte, no fundo está a defesa de nossos rios, caminhos que andam, veias que irrigam o corpo da Terra e abastecem as populações que procuraram suas margens para viver melhor.

A água na Bíblia

Entretanto, quando a Bíblia fala em "águas", como as do dilúvio, ou as do Mar Vermelho que cobriram o exército dos egípcios, está falando de sua força devastadora (Sandro Gallazzi).

Em nada essa experiência é diferente do que experimenta hoje a população de Santa Catarina, ou dos morros de Teresópolis, ou a população sertaneja de Pernambuco e Alagoas. Sob as águas e a lama vão as casas, os bens, quando não a própria vida. É a experiência da fúria natural pela força das águas.

O que resta é sempre um cenário de destruição total. Tudo que estava no caminho das águas fica destruído. Reconstruir o patrimônio de famílias, comunidades e de cidades inteiras tem custo e marca o corpo e a alma.

Devido ao aquecimento global os climatologistas já nos avisaram que esses fenômenos vão se tornar cada vez mais constantes e intensos. Portanto, podemos e devemos nos preparar para o pior, pelo menos até onde é possível chegar essa precaução.

Claro que está em jogo a ocupação de morros, de margens de rios, assim por diante. Porém, a humanidade sempre procurou as margens dos rios, para estar próxima das águas. Mas, as enchentes eram naturais, com ciclos mais regulares, permitindo aos povos desenvolver uma convivência mais pacífica com as variações dos rios.

No São Francisco, por exemplo, vi muitas vezes as comunidades fincarem estacas junto à linha d'água para averiguar a elevação do seu nível no dia seguinte. Hoje, as águas chegam diluvianas de um instante para o outro, não permitindo sequer sair de casa.

Campanha da Fraternidade

O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é justamente o aquecimento global. Ele está alterando rápida e violentamente o regime das águas. Com mais calor há mais evaporação. Com mais evaporação há, por consequência, mais precipitação e, particularmente, precipitações mais concentradas. A chuva que se abateu sobre Nova Friburgo foi cerca de 180 milímetros, o que significa 180 litros de água por metro quadrado. Em qualquer lugar do mundo seria devastadora. Porém, se cai em áreas ambientalmente alteradas pela ação humana, transforma-se em tragédia.

Para muitos cientistas o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para James Lovelock, diante desse fenômeno, todos os outros problemas humanos são praticamente irrelevantes. Se a temperatura média da Terra se elevar de dois até seis graus, o planeta vai se tornar um inferno. A mudança no regime das águas será um dos fatores mais devastadores como consequência dessas mudanças.

O Brasil não é um país preparado para enfrentar essa nova realidade. Nossa população foi expulsa massivamente do campo e teve que se arranjar nas cidades. Sem espaço nos meios mais elitizados, acabou ocupando as encostas dos morros. Aliás, a expressão "favela" tem origem em uma árvore nordestina, que faz a pele arder intensamente quando toca o corpo. Dizem os estudiosos que foram os soldados remanescentes da guerra de Canudos que, ao voltarem para o Rio de Janeiro, sem espaço para ficar, ocuparam os primeiros morros cariocas e deram a essas ocupações o codinome de "favelas". Sabiam o que tinham encontrado no sertão, sabiam o que estavam encontrando no Rio.

A ocupação das cidades, portanto, se deu sem qualquer planejamento, a não ser a necessidade de mão-de-obra barata para atender à industrialização brasileira. Hoje, cidades assim precárias e injustamente construídas, não têm condição de suportar o aumento na pluviosidade e na precipitação concentradas, geradas pelas mudanças do clima.

A chamada Defesa Civil não está preparada para fenômenos desse porte. Já se fala que teremos que lidar com essas questões como os países que sofrem furacões tiveram que se preparar para enfrentá-los. Portanto, demanda uma nova cultura diante das catástrofes, mas demanda também pessoas e muitos investimentos.

Costumamos repetir que não estamos em uma "época de mudanças", mas em uma "mudança de época". A sociedade que vivemos, assim como a Terra que vivemos, serão bastante diferentes ao final desse século. Talvez muito piores. Uma verdadeira incógnita.

Por isso, a imensa responsabilidade dos que dirigem a humanidade e nosso país nesse momento. O futuro vai depender das decisões hoje tomadas. Uma delas diz respeito às mudanças no Código Florestal. A proposta, oriunda do setor empresarial do campo, mas que inclui também medidas para as cidades visa facilitar o desmatamento em morros e margens de rios, exatamente onde está a maior vulnerabilidade ambiental. Permitir essas mudanças, só porque há um setor da sociedade poderoso política e economicamente, é consolidar a tragédia para as gerações futuras, que podem ser nossos filhos e netos. Esse talvez seja o exemplo mais cabal do ponto que pode chegar a irresponsabilidade humana. Parodiando Millôr Fernandes, a humanidade "já deu provas que pode chegar até o limite de sua ignorância e, no entanto, prosseguir".


* Roberto Malvezzi é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM.
   Fonte: www.brasildefato.com.br
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quarta-feira, 13 de abril de 2011

50 ANOS DA PRIMEIRA VIAGEM DO HOMEM AO ESPAÇO

Em 12 de abril de 1961, o cosmonauta russo Iuri Gagarin tornou-se o primeiro ser humano a ir ao espaço, a bordo da nave Vostok 1, na qual deu uma volta completa na órbita da Terra. A celébre frase “A Terra é azul” foi dita pelo eufórico Gagarin ao constatar tal imensidão azul.

Erros de cálculo e a própria precariedade deste tipo de viagem foram comuns, mas não tiraram o brilho e o ineditismo da operação. O pouso de Gagarin aconteceu a cerca de 320 quilômetros do ponto inicialmente calculado, por esse motivo não havia ninguém à sua espera. Jornais da época especulam que o cosmonauta teria descido de pará-quedas e não na cápsula da nave.

Para a então URSS, tal conquista simbolizava um round vencido na luta contra os EUA.

Com a viagem espacial do russo Gagarin iniciou-se uma nova era, comumente chamada de Era Espacial.

As viagens espaciais se transformaram no objetivo maior das potências militares do período da Guerra Fria (1945 a 1990). E chegaram ao ápice na viagem dos autronautas norte-americanos a Lua, fato controverso que gerou dúvidas sobre sua autenticidade.


Anos depois seria a vez do Brasil de participar das viagens espaciais de forma direta ao enviar para o espaço o astronauta Marcos Pontes no dia 29 de Março de 2006.

50 anos depois, fica a pergunta: Quais avanços foram obtidos em prol da humanidade com as viagens espaciais?

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Iuri_Gagarin e http://www.marcospontes.com.br/


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domingo, 10 de abril de 2011

PARABÉNS, POVO DE RIO DAS OSTRAS!

A maioria dos (as) leitores (as) estará diante de diversos artigos que trarão satisfação e alegria por mais um aniversário de nossa cidade. Desde sua emancipação a cidade vem tentando construir sua própria marca trazida pelos indígenas e portugueses. Ela cresceu – e põe crescimento nisso! Tanto do ponto de vista geográfico em ocupações desordenadas, quanto populacional que, segundo os dados do IBGE, em menos de 6 anos o município teve um aumento de 400%.

Poderíamos estar aqui levantando diferentes fatores que contribuíram para esse crescimento.

Infelizmente, as opiniões se dividem sobre o que chamamos “desenvolvimento”. Existem aqueles que gostariam que a cidade de Rio das Ostras se mantivesse como “antigamente” com o bucolismo e a tranquilidade, sem muito trânsito e multidão”. Outros avaliam ser positivo o seu crescimento e desenvolvimento. Assim, produz oportunidade de emprego e renda , a cidade entra no cenário nacional .


Penso que, tanto uma como outra visão, apesar de distintas trazem alguns elementos significativos para a organização administrativa de uma cidade. Ambas visões combinam memória e tradição cultural com inovações e experiências bem sucedidas, que contribuem para o crescimento econômico e administrativo da cidade.

Entretanto, este é o Brasil , um país de contradições . Poucos lugares no mundo apresentam contrastes tão intensos e enraizados , e com tanto potencial de crescimento.

O desafio é construir uma cidade no mundo contemporâneo que combine o binômio “experiência e renovação”. Não é uma fórmula, mas tende a ser um bom ingrediente.

Um outro aspecto muito evocado é o da “responsabilidade social”, muitas às vezes utilizada , demagogicamente, como um efeito de marketing. Responsabilidade Social é um lema muito empregado e praticado por alguns governos e empresas. O nosso entendimento é que precisa ocorrer de fato, fazendo parte do seu programa de ação e de governo.


Em pleno século XXI notícias demonstram os desafios para a superação das desigualdades ainda marcantes em nosso ESTADO. Escolas públicas precárias, falta de professores, profissionais mal- remunerados, taxa de analfabetismo ainda elevada, pouco acesso ao estudo universitário tanto para os jovens e os adultos, violência, principalmente, contra os jovens, que tem aumentado assustadoramente.

Outro aspecto são as tecnologias de ponta em áreas como exploração do petróleo e o biocombustível que contrastam com indústrias reféns do setor primário. Além , da ausência de mecanismos mais democráticos que garantam a participação da população e em suas decisões , como a construção dos marcos regulatórios sobre o royalties do petróleo e outros.

Não podemos permitir nossa população humilde , mas digna , ser manipulada. Prometer é algo fácil, pois as palavras voam ao vento...

E por falar em democracia , você , cidadão e cidadã, o que avalia desses 19 anos sobre o nosso município? A cidade de Rio das Ostras conseguiu atingir metas importantes para o seu desenvolvimento? Na área da educação, é garantido o atendimento à educação para todas às crianças e jovens? As creches ( apesar da Lei de Diretrizes e base) são oferecidas às crianças de 0 à 3 anos e às mães trabalhadoras? Quanto à saúde , o atendimento, o medicamento e a marcação dos exames? Quanto à infra-estrutura, como andam o saneamento básico e a água potável (como um direito à vida)? Quanto à segurança pública, a violência às mulheres e aos jovens? O transporte? Uma cidade com mais de 100 mil habitantes somente uma empresa? E a Cultura, ela é extensiva aos setores mais desfavorecidos?

Poderíamos elencar mais, porém deixamos para que o (a) leitor(a), neste momento de felicidade, também pense que tipo de “CIDADE DESEJAMOS VIVER”.

Aliás, não podemos só pensar... Precisamos construir mecanismos de mudanças e transformação e a população – dona de casa, trabalhadores (as) , estudantes, aposentados(as) , dentre outros – são os diretamente interessados em manter suas vidas numa cidade , mas principalmente humana e sustentável.

Rio das Ostras ganha responsabilidade de ser uma cidade que constitua em suas ações com ética , democracia, transparência e respeito ao ser humano.

Por fim, PARABÉNS ao povo riostrense que defende dia-a-dia o pão de sua família e a sobrevivência de seu maior patrimônio, que é a sua própria vida.

PARABÉNS!

Profª Guilhermina Rocha (Especialista em Educação e Historiadora)
Presidente do CEPRO


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

O IMPACTO DOS CONFLITOS ARMADOS SOBRE A EDUCAÇÃO

Quarenta e dois por centro dos meninos e meninas que não estão na escola vivem em países pobres em situação de conflito armado, segundo o último informe da Unesco apresentado no dia 1º de março. Se os 21 países mais pobres diminuíssem cerca de 10% do seu gasto militar, poderiam garantir a educação de 9,5 milhões de crianças. Somente 2% da ajuda internacional humanitária está destinada a investimentos em educação.

Há pouco mais de uma década, em abril de 2000, representantes de 160 países se reuniram em Dacar (Senegal) no Fórum Mundial de Educação. Deste encontro surgiria o Marco de Ação para uma "Educação para Todos" e o compromisso de zelar pelo cumprimento de seis objetivos básicos em matéria de acesso à educação e infância, com uma data-chave no horizonte: 2015. A quatro anos de se esgotar esse prazo, a Unesco apresentou no dia 1º, em Nova York, seu informe que, neste ano, aborda de maneira explícita um dos contextos em que se mostra mais patente e, paradoxalmente, mais invisível o fracasso da comunidade internacional na hora de garantir esse direito humano básico: os conflitos armados.

Segundo o informe "Uma crise encoberta: conflitos armados e educação", atualmente 28 milhões de crianças estão privadas do seu direito a receber educação em consequencia dos conflitos armados, 42% do total de jovens em idade de frequentar a escola primária. "As guerras estão destruindo as possibilidades de receber educação em uma escala cuja magnitude não se reconhece suficientemente. Os fatos são eloquentes: mais de 40% das crianças do planeta que não vão à escola vivem em países afetados por conflitos. Nesses mesmos países se registram algumas das maiores desigualdades entre os sexos, e alguns dos níveis mais baixos de alfabetização de todo o mundo", sustenta a diretora-geral da Unesco, Irina Bokova.


As consequencias dos conflitos armados para os mais jovens (é preciso recordar que 60% da população de grande parte dos países em situação de conflito têm menos de 25 anos de idade) os deixam expostos a outras situações de risco, como a violência sexual ou a possibilidade de se converterem em "alvos legítimos" para os combatentes. Além disso, segundo a Unesco, a probabilidade de que as crianças de países pobres em conflito faleçam antes de completar cinco anos é duas vezes maior do que no restante dos países pobres não afetados pelo conflito armado, ainda que esses últimos sejam minoria. Dos 35 países que entre 1999 e 2008 passaram por conflitos armados ou guerras, um total de 30 são países de baixa renda ou renda média baixa. Nesses, ressalta o informe, é cada vez mais comum que as escolas, educadores e estudantes se convertam em objeto de ataque, apesar disso se constituir em uma clara violação do direito internacional. No Afeganistão, os ataques contra centros escolares passaram de 347 em 2008 para 613 em 2009, ressalta o informe, que destaca também as ações armadas contra escolas para meninas no Paquistão, ou no norte do Iêmen, onde durante os combates entre forças do governo e grupos rebeldes em 2009 e 2010 destruíram cerca de 220 escolas.

Paralelamente, as violações e outros abusos sexuais se estendem como arma de guerra, não somente contra mulheres, mas também contra meninos e especialmente meninas. Na República Democrática do Congo (RDC), por exemplo, um terço das vítimas de violações foram menores de idade e, desses, cerca de 13% tinham menos de 10 anos, embora, como recorda a Unesco, é possível que esse número seja dez a vinte vezes maior. Os efeitos desse tipo de violência sobre a educação são devastadores, assegura a organização, "prejudica o potencial das vítimas para aprender, cria um clima de medo que faz com que as meninas fiquem em casa e leva à ruptura de muitas famílias, o que deixa meninas e meninos sem um entorno ambiente para sua educação".

Todos esses aspectos, aponta o diretor do informe, Kevin Watkins, mostram "o fracasso dos governos na hora de defender os direitos humanos" e a persistência de uma cultura de impunidade em torno da violência sexual em contextos de conflito armado. Para Watkins, "é hora da comunidade internacional pedir contas a quem perpetra crimes tão odiosos como as violações sistemáticas, e que respalde as resoluções das Nações Unidas como uma ação firme e decidida".

No entanto, a comunidade internacional anda ocupada com outras tarefas mais lucrativas. Sem dúvida, o gasto em armamentos militares consome os recursos que os países doadores poderiam destinar em apoio à educação das crianças das nações pobres. Somente com o que os países ricos dedicam a gastos militares durante seis dias, seria possível anular o déficit anual de financiamento do programa "Educação para Todos", avaliado em 16 milhões de dólares.

Tampouco o sistema internacional de ajuda humanitária parece levar muito em conta as necessidades educativas dos meninos e meninas em países afetados por conflitos armados. Segundo informações do informe, a educação só representa cerca de 2% do total de ajuda humanitária e satisfaz unicamente uma proporção muito reduzida das petições de apoio, apenas 38%, a metade da porcentagem média no restante dos setores receptores de ajuda.

Por outro lado, as prioridades em matéria de segurança dominam a agenda da ajuda humanitária dos países doadores. Isso faz com que a ajuda se destine a um número muito reduzido de Estados e, muitas vezes, os países mais pobres do mundo ficam fora da partilha. Por exemplo, enquanto a ajuda para a educação básica no Afeganistão quintuplicou nos últimos cinco anos, países como Chade ou República Centroafricana veem a ajuda que recebem aumentar muito lentamente ou estancar; no caso da Costa do Marfim, diminui.

Além disso, a Unesco recorda que nos países em situação de conflito armado há um claro desvio do gasto dos fundos públicos em armamentos que poderiam ser convertidos para educação. Assim, entre os países mais pobres do mundo, um total de 21 destina mais dinheiro ao orçamento militar do que à escola primária. Uma redução de seu gasto militar de aproximadamente 10% seria a possibilidade de escolarizar 9,5 milhões de crianças que hoje estão privadas desse direito.

Para o arcebispo e Prêmio Nobel da Paz em 1984, Desmond Tutu, que junto com outras personalidades como Shirin Ebadi, José Ramos-Horta e Rania de Jordânia, participou do informe da Unesco, é urgente tomar ações decisivas. "O que peço aos líderes mundiais é que exponham essa simples declaração de intenções: Basta já! [...] Faço um chamado aos dirigentes dos países ricos para que prestem uma ajuda mais eficaz às pessoas que estão em zonas afetadas por guerras". Tutu exige dos doadores uma vontade como daqueles que veem suas escolas destruídas e fazem o possível para seguir mantendo sua educação. "No entanto, pouca ajuda é proporcionada para a educação às populações dos países em conflito, e ocorre que muitas vezes não recebem o tipo de ajuda adequado [...] A ajuda ao desenvolvimento sofre da síndrome do 'demasiado pouco e demasiado tarde'. Um dos resultados disso é que estão perdendo oportunidades para reconstruir os sistemas de educação".

Embora a Unesco reconheça em seu informe alguns resultados positivos, como a queda da mortalidade em crianças menores de cinco anos (de 12,5 milhões em 1990 para 8,8 milhões em 2008), para a organização "o mundo não vai por um bom caminho", se quiser alcançar as metas fixadas para 2015. Entre alguns dos principais freios aos avanços está a fome, que afeta a um em cada três meninos em países em desenvolvimento (195 milhões no total) e que acarreta danos em seu desenvolvimento coletivo e prejudica suas perspectivas educativas em longo prazo; ou as desigualdades de gênero. "Se em 2008 se tivesse alcançado no mundo a paridade entre os sexos no ensino primário, hoje haveria 3,6 milhões de meninas matriculadas nas escolas", afirma o texto. Estas disparidades também têm a ver com o nível de educação das mães. "Se a taxa geral de mortalidade infantil na África subsaariana se situasse no nível médio de mortalidade infantil dos meninos nascidos de mães com estudos secundários, o número de meninos pequenos mortos nesta região diminuiria em 1,8 milhões", revela.

Por fim, a rainha Rania da Jordânia conclui em uma das páginas do informe: "enquanto houver crianças de países em conflito sem escolarização, não se poderão alcançar as metas para a Educação para Todos e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, ao mesmo tempo o radicalismo e a violência crescerão superando todas as previsões [...] A educação não só impede a eclosão dos conflitos, mas ajuda a reconstrução dos países em situação de conflito armado quando esses acabam. Há algo muito mais importante do que a inevitável reconstrução da administração e das infraestruturas: a reconstrução das mentes".

Tradução: Patrícia Benvenuti

Fotos: UNESCO/M. Hofer; UNESCO/T. Habjouq; UNESCO/Eman Mohammed



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