quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

APA Marinha de Ilha Grande deve ser criada até a primeira quinzena de abril

da Agência Brasil

A Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha de Ilha Grande, que incluirá a parte marítima da costa dos municípios do sul fluminense, deverá ser criada até a primeira quinzena de abril deste ano. A informação é do secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc.

Segundo ele, o texto final do projeto de criação da APA deverá ser redigido no dia 29 de março. Depois disso, o governador do Rio, Sérgio Cabral, terá dez dias para publicar o decreto de criação.

A APA deverá regular as atividades marítimas nos municípios de Mangaratiba, Paraty e Angra dos Reis, o que inclui Ilha Grande. Segundo Minc, a parte terrestre dos municípios já engloba grandes parques naturais (como Bocaina e Cunhambebe) e a parte terrestre das ilhas da Baía de Ilha Grande já integram a APA Tamoios. Por isso, só faltava uma APA para a parte marinha.

Uma das preocupações para os próximos anos é o possível aumento das atividades petrolíferas na região, por causa das grandes reservas de petróleo da camada pré-sal, existentes na Bacia de Santos.

“A ideia é impedir que o petróleo sem controle ou a atividade naval sem controle destruam o turismo e a pesca. Tem que haver um ordenamento das atividades. Pode haver atividade naval? Claro. Não pode é botar os navios em espera em cima de uma reserva de tartarugas. Pode ter o terminal da Baía de Ilha Grande, da Petrobras? Pode. Eles pediram para dobrar o terminal, mas nós negamos essa autorização, porque está a 2,2 mil metros de Ilha Grande. Pode ter petróleo lá? Pode. Não pode é ter uma plataforma pingando óleo a 200 metros da Lagoa Azul, onde tem um turista mergulhando”, exemplificou Minc.

O secretário participa hoje (29) da instalação do Comitê da Bacia Hidrográfica de Ilha Grande, a última das nove bacias fluminenses a ter um comitê. O grupo, que será formado por 90 integrantes dos três níveis de governo, de usuários dos recursos hídricos e da sociedade civil, será responsável por regular o uso dos rios e lagoas da região, além de promover a conservação e a recuperação desses corpos d’água.



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Favelas do Brasil estão entre os locais que não oferecem qualidade de vida para crianças, diz Unicef

da Agência Brasil

Mais de 1 bilhão de crianças no mundo vivem em áreas urbanas, mas muitas estão fora das escolas e não têm acesso aos serviços de saneamento básico nem de saúde. As favelas do Brasil foram citadas, por especialistas estrangeiros, como exemplos de falta de qualidade de vida para as crianças. A solução de parte desses problemas, segundo os peritos, está em ações políticas eficientes e na atenção adequada para as crianças mantidas em uma situação que classificam de invisibilidade.

A conclusão está no relatório O Estado das Crianças do Mundo de 2012: Crianças no Mundo Urbano, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Detalhes do documento serão divulgados hoje (28), na Cidade do México, a capital mexicana.

Abid Aslam, que participou das pesquisas para a elaboração do relatório, ressaltou que “mais da metade da população mundial vivem em cidades e vilas”. De acordo com ele, a solução está na “decisão política”: “[Não se pode permitir que] determinados interesses mantenham o problema em segredo, deixando essas crianças invisíveis. Isso é algo que precisa mudar".

Em comunicado divulgado no site do Unicef, o pesquisador destacou que o aumento de crianças em áreas urbanas é gerado por mudanças de hábitos. Segundo ele, antes as famílias iam para as cidades em busca de melhores oportunidades. Mas, com o crescimento urbano, há mais crianças nascidas nas cidades e os serviços de saneamento e saúde, por exemplo, não acompanham esse movimento.

Aslam deu como exemplos as favelas no Quênia e no Brasil. De acordo com ele, a inserção dessas populações nos ambientes urbanos, sem infraestrutura adequada, leva ao aumento da violência e à ausências de itens básicos, como água potável e educação.

"Eles [os moradores das favelas e outras regiões sem infraestrutura] não sabem, mas muitas vezes, de uma semana para a outra, de um mês para o outro, de um ano para o outro, estão vivendo cada vez com menos qualidade de vida, pois não têm condições de ir para escola nem água potável”, disse Aslam.

Segundo o pesquisador, "o relatório contém evidências de que quando se quer incluir, como direito, os pobres, marginalizados e sem voz no processo decisório, todos se beneficiam".



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Como enfrentar a sexta extinção em massa

Por Leonardo Boff

Referimo-nos anteriormente ao fato de o ser humano, nos últimos tempos, ter inaugurado uma nova era geológica –o antropoceno- era em que ele comparece como a grande ameaça à biosfera e o eventual exterminador de sua própria civilização. Há muito que biólogos e cosmólogos estão advertindo a humanidade de que o nível de nossa agressiva intervenção nos processos naturais está acelerando enormemente a sexta extinção em massa de espécies de seres vivos. Ela já está em curso há alguns milhares de anos. Estas extinções, misteriosamente, pertencem ao processo cosmogênico da Terra. Nos últimos 540 milhões de anos ela conheceu cinco grandes extinções em massa, praticamente uma em cada cem milhões de anos, exterminando grande parte da vida no mar e na terra. A última ocorreu há 65 milhões de anos quando foram dizimados os dinossauros entre outros.

Até agora todas as extinções eram ocasionadas pelas forças do próprio universo e da Terra a exemplo da queda de meteoros rasantes ou de convulsões climáticas. A sexta está sendo acelerada pelo próprio ser humano. Sem a presença dele, uma espécie desaparecia a cada cinco anos. Agora, por causa de nossa agressividade industrialista e consumista, multiplicamos a extinção em cem mil vezes, diz-nos o cosmólogo Brian Swimme em entrevista recente no Enlighten Next Magazin, n.19. Os dados são estarrecedores: Paul Ehrlich, professor de ecologia em Standford calcula em 250.000 espécies exterminadas por ano, enquanto Edward O. Wilson de Harvard dá números mais baixos, entre 27.000 e 100.000 espécies por ano (R. Barbault, Ecologia geral 2011, p.318).

O ecólogo E. Goldsmith da Universidade da Geórgia afirma que a humanidade ao tornar o mundo cada vez mais empobrecido, degradado e menos capaz de sustentar a vida, tem revertido em três milhões de anos o processo da evolução. O pior é que não nos damos conta desta prática devastadora nem estamos preparados para avaliar o que significa uma extinção em massa. Ela significa simplesmente a destruição das bases ecológicas da vida na Terra e a eventual interrupção de nosso ensaio civilizatório e quiçá até de nossa própria espécie. Thomas Berry, o pai da ecologia americana, escreveu: "Nossas tradições éticas sabem lidar com o suicídio, o homicídio e mesmo com o genocídio, mas não sabem lidar com o biocídio e o geocídio”(Our Way into the Future, 1990 p.104).

Podemos desacelerar a sexta extinção em massa já que somos seus principais causadores? Podemos e devemos. Um bom sinal é que estamos despertando a consciência de nossas origens há 13,7 bilhões de anos e de nossa responsabilidade pelo futuro da vida. É o universo que suscita tudo isso em nós porque está a nosso favor e não contra nós. Mas ele pede a nossa cooperação já que somos os maiores causadores de tantos danos. Agora é a hora de despertar enquanto há tempo.

O primeiro que importa fazer é renovar o pacto natural entre Terra e Humanidade. A Terra nos dá tudo o que precisamos. No pacto, a nossa retribuição deve ser o cuidado e o respeito pelos limites da Terra. Mas, ingratos, lhe devolvemos com chutes, facadas, bombas e práticas ecocidas e biocidas.

O segundo é reforçar a reciprocidade ou a mutualidade: buscar aquela relação pela qual entramos em sintonia com os dinamismos dos ecossistemas, usando-os racionalmente, devolvendo-lhes a vitalidade e garantindo-lhes sustentabilidade. Para isso necessitamos nos reinventar como espécie que se preocupa com as demais espécies e aprende a conviver com toda a comunidade de vida. Devemos ser mais cooperativos que competitivos, ter mais cuidado que vontade de submeter e reconhecer e respeitar o valor intrínseco de cada ser.

O terceiro é viver a compaixão não só entre os humanos, mas para com todos os seres, compaixão como forma de amor e cuidado. A partir de agora eles dependem de nós se vão continuar a viver ou se serão condenados a desaparecer. Precisamos deixar para trás o paradigma de dominação que reforça a extinção em massa e viver aquele do cuidado e do respeito que preserva e prolonga a vida. No meio do antropoceno, urge inaugurar a era ecozóica que coloca o ecológico no centro. Só assim há esperança de salvar nossa civilização e de permitir a continuidade de nosso planeta vivo.


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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Piso nacional do magistério de 2012 é definido em R$ 1.451

da Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) definiu em R$ 1.451 o valor do piso nacional do magistério para 2012, um aumento de 22,22% em relação a 2011. Conforme determina a lei que criou o piso, o reajuste foi calculado com base no crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no mesmo período.

A Lei do Piso determina que nenhum professor pode receber menos do que o valor determinado por uma jornada de 40 horas semanais. Questionada na Justiça por governadores, a legislação foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

Entes federados argumentam que não têm recursos para pagar o valor estipulado pela lei. O dispositivo prevê que a União complemente o pagamento nesses casos, mas, desde 2008, nenhum estado ou município recebeu os recursos porque, segundo o MEC, não conseguiu comprovar a falta de verbas para esse fim.

Em 2011, o piso foi R$1.187 e em 2010, R$ 1.024. Em 2009, primeiro ano da vigência da lei, o piso era R$ 950. Alguns governos estaduais e municipais criticam o critério de reajuste e defendem que o valor deveria ser corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), como ocorre com outras carreiras.

Na Câmara dos Deputados, tramita um projeto de lei que pretende alterar o parâmetro de correção do piso para a variação da inflação. A proposta não prosperou no Senado, mas na Câmara recebeu parecer positivo da Comissão de Finanças e Tributação. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) prepara uma paralisação nacional dos professores para os dias 14,15 e 16 de março com o objetivo de cobrar o cumprimento da Lei do Piso.



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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Código Florestal: Veta Dilma

O Código Florestal está sendo modificado no Congresso para satisfazer a bancada ruralista, abrindo brecha para mais desmatamentos. 

A sua  aprovação final depende da presidente Dilma: peça a ela para cumprir suas promessas e vetar o projeto de lei que vai deixar nossas florestas sob a ameaça das motosserras.


Fonte: greenpeace.org/brasil 
 
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A obra em que Darcy Ribeiro desafia o Brasil

Documentário expõe ideias de antropólogo que divergiu do eurocentrismo e enxergou possível contribuição do país às civilizações contemporâneas. Poderemos realizá-la?

No ano de 1995, o professor Darcy Ribeiro conseguiu concluir e publicar a obra que mais desejava mostrar ao mundo, o livro O Povo Brasileiro: a Formação e o Sentido do Brasil.

Na verdade, Darcy passou a maior parte de sua vida almejando escrevê-lo. Por duas vezes na sua conturbada vida de antropólogo, indigenista, filósofo, educador, escritor e político, tentou concluí-lo, sendo sempre afastado do epílogo pelas batalhas em que sempre se envolveu. Só o fez quando sentiu que tinha pela frente um inimigo que não podia vencer – a morte, que o rondava desde muito, mas que sempre adiava sua cartada final, pois ele a convencia de que ainda não era hora. Parece que houve um acordo final, nesse jogo de xadrez bergmaniano. Tomou a forma de uma pequena trégua. Após escapar do CTI de um hospital, de onde quase ninguém acreditava que saísse vivo, Darcy encontrou forças do fundo do seu ser, exilou-se em Maricá e legou à posteridade essa obra – talvez a mais magistral de todas, da robusta lista de criações originais que fez sobre o nosso Brasil.

Em 2005, um documentário em linguagem televisiva procurou popularizar as ideias contidas no livro. Produzido pela Fundação Darcy Ribeiro, TV Cultura e GNT, dirigido por Isa Ferraz e materializado (em 2 DVDs), sugere estabelecer contato com o Brasil fantástico de Darcy e com o que significamos, segundo ele, como participantes da grande história universal.
Darcy parte de uma pergunta que o atormentou por toda a vida. Por que, a despeito de todas as condições favoráveis, o Brasil ainda não deu certo? Para superarmos o que nos amarrava, ele acreditava, era imperioso saber quem somos, qual a gênese da nossa formação e no que ela resultou. Nesse sentido, a ideia de lançar o conteúdo do livro em linguagem televisiva foi perfeita.

Sabemos que a sociedade contemporânea é da televisão. Ela está presente em todos os lugares e influencia fortemente o comportamento do cidadão no seu dia a dia. Acompanha-o quando acorda; nos ônibus e carros com que se desloca ao trabalho; nos restaurantes onde come e na sala de espera de seu médico ou dentista; no celular e na internet; em casa, à noite, dividindo tempo precioso com a família. Ao empregá-la, as classes dominantes procuram manter os cidadãos amorfos, sem uma concepção de mundo própria. Na disputa pelo poder de Estado, ela constrói vitórias e derrotas eleitorais. Tornou-se um clássico, por exemplo, a manipulação promovida pelo Jornal Nacional nas eleições presidenciais de 1989, após o debate entre Collor e Lula, distorcendo a imagem do último a ponto de evitar sua provável vitória nas urnas.

Mas o uso apropriado de veículos como a TV também pode produzir resultados excepcionais, difundindo vastamente certas ideias, como já nos dizia Rossellini, com seu cinema pedagógico. Mostrar ao brasileiro a sua cara, por intermédio de um documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro, é a estratégia mais correta para despertar as ideias contidas em seu livro, libertando-as do campo meramente acadêmico, em que poucos vão entendê-las, e lançando-as à população. Muito de acordo, aliás, com as concepções do próprio autor.
Embora doutor honoris causa pela Sorbonne, plenamente reconhecido em grandes universidades, criador, ele próprio da Universidade de Brasília, ministro da Educação no governo João Goulart e autor de livros ediados em vários idiomas, Darcy não foi uma unanimidade (se é que isto existe realmente) na academia. Sua história de “fazedor” desenvolve-se plenamente no campo, na ação da prática de vida-vivida, segundo o axioma marxista de que “os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras, mas o que importa é transformá-lo” (Karl Marx, Teses sobre Feuerbach). Por suas atitudes, colecionou muitos seguidores, mas também muitos opositores.

Darcy faz parte da galeria de grandes intelectuais que pensaram o Brasil e desenvolveram, no pós-II Guerra Mundial, teses para nossa consolidação como uma das grandes nações do mundo. O grupo inclui Florestan Fernandes e a chamada Escola Paulista de Sociologia, intelectuais oriundos dos partidos de esquerda – comunistas, socialistas, e outros –, economistas da escola cepalina, que influenciaram governos como os de Vargas, Juscelino, Jânio e João Goulart.

Profundo conhecedor do interior do Brasil, principalmente pela estreita ligação com o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), do Marechal Rondon, e com os indigenistas da época, como os irmãos Villas Boas, Darcy destacou-se pelos seus valiosos estudos sobre etnias indígenas brasileiras. Passou a ter dimensão nacional quando se aproximou do professor Anízio Teixeira e dos educadores da Nova Escola, incorporando aos seus estudos a questão educacional no Brasil.

Suas formulações teóricas sempre estiveram ligadas a uma prática política com um conteúdo ideológico definido: ele partia da concepção de que na raiz de um pensamento existem sempre interesses de classes, que determinam a sua essência. Darcy escolheu um lado, e este foi sempre o dos despossuídos, tendo grande capacidade de se colocar na posição do outro e de fazer do interesse do outro o seu problema.

Por suas ideias e ações políticas – exerceu, por exemplo, importante influência no governo João Goulart –, granjeou muitos inimigos. Por isto, foi obrigado ao exílio, após o golpe de Estado de 1964.

Mas jamais deixou de produzir. Em 1968, lançou O Processo Civilizatório, em que se atreve a uma revisão crítica dos esquemas conceituais propostos pelos estudos clássicos de antropologia. Esboça uma nova visão acerca do desenvolvimento humano que gera forte impacto, haja vista não estar enquadrada nos esquemas teóricos tradicionais.

Darcy se queixa: “… nos faltava uma teoria geral, cuja luz nos tornasse explicáveis em seus próprios termos, fundada em nossa experiência histórica. As teorizações oriundas de outros contextos eram todas elas eurocêntricas demais e, por isso mesmo, impotentes para nos fazer inteligíveis. Nosso passado, não tendo sido o alheio, nosso presente não era necessariamente o passado deles, nem nosso futuro um futuro comum. 

(…) O processo civilizatório é minha voz nesse debate. Ouvida, quero crer, porque foi traduzida para as línguas de nosso círculo ocidental, editada e reeditada muitas vezes, é objeto de debates internacionais nos Estados Unidos e na Alemanha. A ousadia de escrever um livro tão ambicioso me custou algum despeito dos enfermos de sentimentos de inferioridade, que não admitem a um intelectual brasileiro o direito de entrar nesses debates, tratando de matérias tão complexas. Sofreu restrições, também, dos comunistas, porque não era um livro marxista, e dos acadêmicos da direita, porque era um livro marxista. Isto não fez dano, porque ele acabou sendo editado e mais lido do que qualquer outro livro recente sobre o mesmo tema” (Darcy Ribeiro, in O Povo Brasileiro).

Seguindo a esteira de grandes pensadores da sociedade brasileira, desde a Semana de Arte Moderna de 1922, Darcy nos via na construção de uma civilização original: tropical, mestiça e humanista. Dos índios, segundo ele, herdamos a capacidade e o talento para o convívio; dos negros, a espiritualidade e a ação sobre o invisível e o não dito; dos europeus a tecnologia e racionalidade. Estaríamos prontos, pois, para ser uma das civilizações do mundo. Seríamos o novo, capaz, na medida em que tomássemos conhecimento de nós mesmos, de contribuir para o avanço histórico da humanidade.

“Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais dispares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um povo novo, num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente de suas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais delas oriundos. Também novo, ainda, porque é um novo modelo de estruturação societária, fundada num tipo renovado de escravismo e numa servidão continuada ao mercado mundial. Novo, inclusive, pela inverossímil alegria e espantosa vontade de felicidade, num povo tão sacrificado, que alenta e comove a todos os brasileiros.” (Darcy Ribeiro, in O Povo Brasileiro).

O documentário desenvolve as teses darcinianas seguindo o roteiro do livro. Ao longo de sete capítulos, ele nos fala sobre nossas matrizes: tupi, lusa e afro. Aborda o encontro dessas matrizes e a estruturação do modo de vida, costumes e tradições: cabocla, caipira, crioula, sertaneja, e sulina. Por fim, discute os caminhos para o Brasil atual, ressaltando principalmente nossas homogeneidades (tais como a língua, comportamentos, etc.), e ao mesmo tempo, nossas diversidades. Mais do que uma junção de etnias formando uma outra, e única (a brasileira), o Brasil é um povo-nação, ajustado a um território próprio para nele, juntos, viver o seu destino. Suas gentes teriam se amalgamado, a princípio, pelo peculiar instituto do cunhadismo, originário da cultura indígena. Formaram um ser, “um ninguém” – o brasileiro primitivo, que teve de procurar o sentido de sua existência como ser diverso das culturas matrizes.

Para Darcy Ribeiro, formamos a maior presença neolatina no mundo, uma Nova Roma. Melhor do que a anterior, porque radicalmente lavada em sangue índio e negro. Esta singularidade nos condena a nos inventarmos a nós mesmos. Também nos desafia a construir uma nova sociedade, inspirada nas nossas gêneses, despontando no cenário mundial com nossas próprias particularidades
Darcy acreditava que o Brasil estava diante de uma encruzilhada, a partir da reordenação do mundo globalizado, provocada pela terceira revolução industrial. Impaciente, via que poderíamos perder esta oportunidade, a exemplo do que aconteceu no Século 19 – quando não nos industrializamos e permanecemos como exportadores de matérias-primas. Vem daí sua insistência na pauta prioritária da educação como mola motriz do nosso desenvolvimento, em uma época na qual dominar o conhecimento tornou-se o elemento decisivo no processo de emancipação de um povo.

Utópico no melhor da sua essência – movido por aquela utopia de que nos fala Karl Mannheim que é a incongruência perante a realidade –, Darcy é uma das figuras mais fascinantes do Século 20. Viveu plenamente suas utopias, não se importando se elas não se realizavam. Sua contribuição ao Brasil, até hoje pouco compreendida, pode nos dotar de uma proposta original. Abre caminho para participar de fato do novo cenário internacional. Exige que venham à tona do fundo de nossas humanidades, e num quadro de declínio de civilizações, novas formas de viver. Pacíficas, alegres e sábias, capazes de recompor a aliança do ser humano com a natureza e a criatividade. Darcy achava que, por nossa peculiar formação, nós seriamos seus arautos.

* Arlindenor Pedro é professor de história e especialista em projetos educacionais. Anistiado por sua oposição ao regime militar, dedica-se na atualidade à produção de flores tropicais na região de Agulhas Negras. Blog: http://arlindenor.wordpress.com.

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Manifesto chama atenção da sociedade para a publicidade abusiva dirigida às crianças

É lançado o manifesto pelo fim da publicidade e da comunicação mercadológica dirigida ao público infantil, menor de 12 anos de idade, com o propósito de defender os diretos da infância, da justiça e da construção de um futuro mais solidário e sustentável para a sociedade brasileira.

A mobilização contra a publicidade destinada ao público infantil pretende evitar a disseminação de valores materialistas e o aumento de problemas sociais como a obesidade infantil, erotização precoce, estresse familiar, violência pela apropriação indevida de produtos caros e alcoolismo precoce.

O núcleo de pessoas, organizações e entidades abaixo-assinadas pedem o fim das mensagens publicitárias dirigidas ao público infantil, por este ser hipervulnerável e ainda estar em processo de desenvolvimento biofísico e psíquico, sem as habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos inúmeros apelos mercadológicos que lhe são especialmente dirigidos.

Para assinar o Manifesto, acesse o link: http://www.publicidadeinfantilnao.org.br/

Fonte: Adital


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A saúde e a Páscoa

Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor

"Que a saúde se difunda sobre a terra”, diz o livro do Eclesiástico, um dos livros judaicos escritos pouco antes da era cristã. Essa frase está servindo de lema para a Campanha da Fraternidade 2012 sobre "Fraternidade e saúde pública”. É o tema que a CNBB, conferência dos bispos católicos do Brasil, escolheu para a Quaresma- Páscoa deste ano. De fato, o assunto é oportuno e urgente, seja pela situação ainda precária do sistema de saúde pública em nosso país, seja pela relação profunda que esse problema tem com a fé e com a proposta pascal de Jesus. 

No Brasil, movimentos cristãos de linha espiritualista, sejam católicos, sejam pentecostais, fazem cultos invocando a cura divina. Pastores reúnem multidões em praças públicas, colocam na frente as pessoas enfermas, invocam o nome de Jesus, impõem as mãos e muitas saem dali sentindo-se curadas. Independentemente do fato de que, nesse tipo de fenômeno, sempre podem ocorrer fraudes e mentiras, muitos crentes vivem isso com toda pureza da sua fé. Devemos ter o mais profundo respeito por essa forma de interpretar a fé e a oração.

Entretanto, nos evangelhos, Jesus nos convida sempre a irmos ao cerne das questões. Não adianta combater a erva má simplesmente arrancando as folhas. É preciso ir à raiz.

Como sinal de que o projeto divino para o mundo é saúde para todos, Jesus curou alguns doentes, mas sempre chamando a atenção de que era preciso mudar a estrutura social que provocava aqueles males, seja no caso a marginalização social da pessoa doente, seja a cultura de que a doença era consequência de algum pecado. Assim, o compromisso da fé não pode ser apenas aliviar as dores de um ou outro doente, mas cuidar para que todos tenham saúde e vida. Quem divide a vida em material e espiritual e opõe essas duas dimensões não vê relação entre saúde e salvação. Ao contrário, tanto nas culturas antigas, como atualmente na concepção da Organização Mundial da Saúde, define-se a saúde como um processo. Não é um estado adquirido de forma permanente e é um bem estar corporal, social e psíquico que envolve também a dimensão espiritual. Jesus já intuía isso ao curar um paralítico, fazendo-o levantar-se da cama e lhe assegurando o perdão, a reconciliação consigo mesmo, a integração social e a reabertura ao amor divino no seu coração. Essa ação de Jesus revela a nossa missão no plano da saúde. A Campanha da Fraternidade desse ano propõe a chamada "bioética dos 4 P”: promoção da saúde, prevenção de doenças, proteção das pessoas vulneráveis e precaução frente ao desenvolvimento biotecnológico. É mais do que hora de garantir a todos os brasileiros o acesso universal, integral e equânime aos cuidados necessários de saúde (CF. 2012, texto básico, n. 261, p. 110). 

A festa da Páscoa começou sendo uma celebração da primavera. A tradição judaica associou a história da libertação de Israel da escravidão do Egito com o tempo da festa de Páscoa. Para os cristãos, foi durante uma festa de Páscoa que Jesus deu sua vida por nós e foi por Deus ressuscitado, se tornando fonte de vida nova para toda a humanidade. Por isso, trabalhar para aperfeiçoar e tornar mais justo e democrático o sistema de saúde público no Brasil é uma forma de concretizar a ação pascal e testemunhar de que Deus continua inspirando um projeto de mundo novo no qual cremos e pelo qual optamos.

Fonte: Adital

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