sábado, 30 de junho de 2012

Rio+20 deixa a responsabilidade em nossas mãos


Diante da falta de liderança dos governos, caberá à sociedade civil lutar pelo desenvolvimento sustentável, porém é preciso que os movimentos sociais busquem a convergência das suas demandas e construam uma agenda mais propositiva.

A Rio+20 se foi e o que ficou são milhares de reportagens que mostram quantas centenas de iniciativas de grupos como ONGs, empresas e indivíduos foram lançadas durante as conferências paralelas já que o evento oficial serviu para muito pouco além de fotos.

Como disse Marina Silva, a confiança no “multilateralismo” foi uma das maiores perdas dessa Rio+20.
As iniciativas independentes são sim importantes para mostrar como os mais diversos grupos têm tentado reagir à falta de liderança de governos como o brasileiro, que falsamente se dizem pioneiros no desenvolvimento sustentável, que deveriam assumir face às múltiplas crises que a humanidade vem enfrentando.

Na falta de um compromisso sério e abrangente em direção a um futuro mais justo (ambiental, social, cultural e economicamente), o único resultado positivo que os mais esclarecidos conseguem distinguir neste cenário confuso é a reação da sociedade civil, que apesar de se mostrar indignada, ainda tem um longo caminho para estar organizada.

A Cúpula dos Povos foi um evento maravilhoso em termos de diversidade de culturas e ideias, porém, as dezenas de atividades autogestionadas, apesar de riquíssimas em conteúdo, contribuíram para a segmentação das discussões, não avançando na reunião das diferentes propostas.

Em todas as tendas que acompanhei, a crítica ao modelo atual de desenvolvimento insustentável “maquiado de verde” e ao estímulo ao crescimento desenfreado mesmo em meio à crise ora recorrente.
As ditas soluções vão desde uma economia mais solidária, justa e com práticas mais sustentáveis até propostas mais profundas, como o distanciamento completo de mecanismos de valoração dos serviços ambientais e do corporativismo.

Todas estas reivindicações têm o seu papel e são elementares na construção de um entendimento comum em que os diversos setores da comunidade mundial possam finalmente chegar a um novo modelo mais equitativo e menos depredador dos ecossistemas e também da própria sociedade.
Entretanto, os movimentos sociais precisam buscar uma convergência maior das suas demandas e construir uma proposta crítica, mas também propositiva.

Um exemplo claro foram as várias plenárias sobre decrescimento, ecossocialismo e outros movimentos que clamam pela saída do capitalismo: se buscam o mesmo fim, por que não unir os debates? A superação das diferenças é o único caminho para uma solução condizente à realidade.

Uma das coisas mais marcantes da Cúpula dos Povos foi a angústia de indígenas de todo o Brasil. Desde os movimentos contra Belo Monte até os Kaingangs do sul brasileiro, a crítica é quanto à falta de respeito do governo atual aos seus direitos e terras.

A legislação e normatizações que protegem estes povos muito mais proprietários da terra do que nós, intrusos que chegamos há menos de cinco séculos espalhando doenças e lixo, está sendo estraçalhada pelo governo Dilma.

Isto sem falar nas denúncias de abandono dos indígenas no sambódromo, em colchões espalhados pelo chão e com comida sendo entregue às quatro da tarde.
É desolador saber que a poucos quilômetros dali, a administração atual continua dizendo que respeita as populações tradicionais e busca a sustentabilidade.

A distância entre os eventos populares e os oficiais parece um abismo pela ausência de comunicação, a não ser por alguns bravos ativistas que conseguiram entrar nas plenárias oficiais e tentaram mostrar para a comunidade internacional as dificuldades dos movimentos sociais no Brasil.

Em nome de cerca de mil ONGs, o representante da Rede de Ação Climática, Wael Hmaidan, pediu na quarta-feira (20), durante a primeira sessão plenária da Conferência, que a referência de apoio atribuída às entidades civis organizadas fosse retirada do texto final da Rio+20.

Em outro protesto, um grupo de lideranças e personalidades nacionais e internacionais de diferentes segmentos entregaram na quinta-feira (21) no Riocentro, a mensagem “A Rio+20 que não queremos” aos chefes de Estado e de governo que participavam da Rio+20.

Por incrível que pareça, um dos momentos mais constrangedores e reveladores da Rio+20 foi o bate-boca da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, irritada com manifestantes no Riocentro durante uma mesa composta por Luciano Coutinho, presidente BNDES, Johaness Eck, representante da Casa Civil do Brasil, Deborah Wetzel, do Banco Mundial, Jane Smart, das Nações Unidas, e Tarso Azevedo, especialista em política florestal.

Na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, o chamado “evento oficial”, a maioria das reuniões, tanto plenárias quanto paralelas, pareciam entoar o mantra da “economia verde”.
O lado positivo é que agora realmente as grandes corporações e cidades não têm mais como esconder o seu passivo e terão que se adaptar ao novo paradigma que começa a nascer, voluntariamente na maioria dos casos devido à ausência de governança em nível nacional.

Não há como negar que as iniciativas são sim muito interessantes, com algumas empresas preocupadas em espalhar a sensibilização para a sustentabilidade até mesmo para os familiares dos seus funcionários, e cidades se comprometendo com metas mais ambiciosas que os países. Mas tudo isto se deve à pressão popular e à conscientização de alguns poucos líderes empresariais.

Como já está virando costume, a bola foi passada para nós, cidadãos: monitoramento da “maquiagem verde” e corrupção, participação nas decisões locais (especialmente às vésperas das eleições municipais) e, enfim, policiamento de nós mesmos contra o desperdício e consumismo. Estas são funções que certamente merecem a nossa atenção não apenas para garantir um ambiente equilibrado para as futuras gerações, mas para nós mesmos, já que não é apenas o sistema financeiro que está em crise, o planeta inteiro está.

Fernanda B. Müller é jornalista.
Fonte:  CarbonoBrasil.


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Contador de Árvores da Mata Atlântica volta a funcionar no Rio


Um dos mais devastados biomas brasileiro, a Mata Atlântica, ganhará novamente o acompanhamento da recuperação no Rio de Janeiro. O estado irá reativar o Contador de Árvores da Mata Atlântica, sistema de acompanhamento dos programas de reflorestamento do Estado do Rio em tempo real, desativado há dois anos.
O Contador, coodernado pelo Instituto Terra de Preservação Ambiental, deve ser retomado ainda este ano. Iniciado em 2008, a ideia do Contador era não somente contabilizar o reflorestamento, como estimular o plantio de novas espécies.

O projeto inicial previa o reflorestamento do bioma por meio do plantio de 20 milhões de árvores até 2010. No entanto, o contador parou de girar em setembro deste mesmo ano, tendo atingindo apenas 3.389.560 árvores plantadas.

Há um mês, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou novos dados sombrios sobre a Mata Atlântica. Em todo o país, restam apenas 7,9% da cobertura de vegetação no bioma. Somente em Minas Gerais foram desmatados 6.339 hectares entre maio de 2010 e maio de 2011. No entanto, o Rio de Janeiro foi um dos estados que devastou menos o bioma no período, com apenas 92 hectares desmatados.

Fonte:  EcoD.

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Pessoas com deficiência representam 24% da população brasileira, mostra censo


da Agência Brasil

Quase 46 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência: mental, motora, visual ou auditiva. Esse número corresponde a 24% da população total do país. Embora 95% das crianças com deficiência com idades entre 6 e 14 anos estejam na escola, patamar bem próximo ao verificado entre as pessoas sem nenhuma das deficiências investigadas (97%), outros indicadores, como grau de instrução e posição no mercado de trabalho, revelam uma situação menos favorável dos brasileiros que têm algum tipo de deficiência.
 
A constatação faz parte do Censo Demográfico 2010 – Características Gerais da População, Religião e Pessoas com Deficiência, divulgado hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, enquanto 61,1% da população de 15 anos ou mais com deficiência não tinham instrução ou cursaram apenas o fundamental incompleto, esse percentual era de 38,2% para as pessoas dessa faixa etária que declararam não ter nenhuma das deficiências investigadas, representando uma diferença de 22,9 pontos percentuais.

No que se refere ao rendimento, o estudo aponta que 46,4% das pessoas ocupadas, com 10 anos ou mais de idade, entre os que têm deficiência, ganhavam até um salário mínimo ou não tinham rendimento. Já entre a população sem qualquer deficiência, essa era a realidade de 37,1%, o que indica uma diferença de mais de 9 pontos percentuais entre os dois grupos.

Segundo a coordenadora do Comitê do Censo Demográfico do IBGE, Andréa Borges, o levantamento aponta que para corrigir essas distorções são necessárias políticas públicas mais fortes que incentivem essa parcela da população a aumentar seu grau de instrução, o que interfere diretamente nos níveis de rendimento.

“Os dados revelam que a maioria das pessoas que têm deficiência está concentrada em níveis de instrução e de rendimento muito baixos. Já existem políticas públicas nesse sentido, mas elas podem ser melhoradas para que haja maior incentivo para que essa parcela de brasileiros não pare de estudar ao concluir o ensino fundamental, mas que vá adiante. Enquanto 10,4% dos que não têm deficiência tem [ensino] superior completo, apenas 6,7% das pessoas com deficiência estão nesse patamar”, ressaltou.

O levantamento aponta ainda que, em 2010, a população ocupada com pelo uma das deficiências investigadas representava 23,6% (20,3 milhões) do total ocupado (86,3 milhões) no país. Além disso, mais da metade (53,8%) dos 44 milhões de pessoas com deficiência em idade ativa (10 anos ou mais) estava desocupada ou não era economicamente ativa.

Em relação ao total da população desocupada ou não economicamente ativa, que somava 75,6 milhões em 2010, as pessoas com deficiência representavam 31,3%.

O documento constatou também que a maioria das pessoas com deficiência ocupadas era empregada com carteira assinada (40,2%), uma diferença de 9 pontos percentuais em relação à população sem nenhuma das deficiências investigadas (49,2%).

Já os percentuais de trabalhadores com deficiência classificados nas categorias por conta própria (27,4%), sem carteira (22,5%), militares e funcionários públicos estatutários (5,9%) e não remunerados (2,2%) são maiores do que na população sem deficiência (20,8%, 20,6% e 5,5%; 1,7%, respectivamente). Na categoria empregador, há uma diferença de 0,3 ponto percentual entre a população sem (2,1%) e com (1,8%) deficiência. 


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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Funarte e Biblioteca Nacional lançam editais de criação e de circulação literária


Agência Brasil
 
A Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lançaram hoje (28) oficialmente as bolsas de criação literária e de circulação literária Fundação Biblioteca Nacional / Funarte .
A Bolsa Fundação Biblioteca Nacional / Funarte de Criação Literária tem como objetivo promover o desenvolvimento de projetos de criação de romances, contos, crônicas, novelas e poemas. A Bolsa Fundação Biblioteca Nacional / Funarte de Circulação Literária pretende concretizar projetos voltados à promoção e difusão da literatura por meio de oficinas, cursos, contação de histórias e/ou palestras e, assim, incentivar a formação de leitores.


O lançamento ocorreu nos jardins do Auditório Machado de Assis, localizado na Fundação Biblioteca Nacional, no centro da cidade. Os editais já foram publicados no Diário Oficial da União do dia 19 de junho, terça-feira da semana passada.

Serão oferecidas 30 bolsas voltadas para criação literária, em âmbito nacional, no valor de R$ 15 mil cada, direcionadas a escritores iniciantes. Já para o edital de circulação literária serão destinadas 20 bolsas, no valor de R$ 40 mil cada.

As inscrições nos editais podem ser feitas até dia 2 de agosto. O edital é dirigido a pessoas físicas maiores de 18 anos, brasileiros natos ou naturalizados e estrangeiros, residentes no país há mais de três anos. Os projetos deverão ser desenvolvidos no prazo de seis meses, exclusivamente nos Territórios da Cidadania (programa do governo federal que tem o objetivo de promover o desenvolvimento regional e garantir direitos sociais para as áreas mais pobres do país), e preferencialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país, apontadas com baixos índices de leitura pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril .


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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Cadeirinhas para crianças reduzem o número de mortes no trânsito


Obrigatória desde 2010, a cadeirinha para criança nos carros de passeio têm ajudado a salvar milhares de vidas em acidentes de trânsito. A cadeirinha é obrigatória até sete anos e meio de idade. Dados do Departamento Nacional de Trânsito mostram que duas mil crianças e adolescentes morrem anualmente em acidentes de carro. A agente de viagens e mãe do pequeno Nicolas, de três anos, Ivaneide Albuquerque, sempre coloca o filho na cadeirinha. “Eu uso a cadeirinha porque acho muito importante para a segurança dele, no caso de acontecer um acidente, tanto dentro da cidade como em viagem. Eu comprei a cadeirinha quando ele já estava com um ano e meio e ele pode usar até os quatro anos ou até chegar aos 25 quilos. E essa cadeirinha é certificada pelo Inmetro.”

A coordenadora da Área de Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde, Marta Silva, assegura que o uso da cadeirinha é fundamental para salvar a vida das crianças num acidente. A coordenadora alerta que em uma batida, se a criança não estiver presa, ela pode sofrer lesões internas. Marta Silva explica a diferença dos assentos para cada idade. “Até um ano de idade, o bebê deve ser transportado no bebê conforto e a posição deve ser voltada para o vidro traseiro, de costas para a direção do carro. No caso de crianças de um a quatro anos, na cadeirinha de segurança, na posição vertical voltada para frente do veículo. E crianças de quatro a sete anos e meio, no assento de elevação e tem que ter o cinto de segurança com três pontos para fixar esse assento de elevação.”

A coordenadora lembra ainda que as cadeiras de segurança utilizadas nos carros devem ser certificadas pelo Inmetro. Só a partir dos sete anos e meio é que as crianças podem passar a usar apenas o cinto de segurança do próprio carro.


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